O medo de um possível confronto com os moradores das regiões Sudoeste e Oeste do Estado que ocupam o Parque Nacional do Iguaçu e mantêm aberta a Estrada do Colono levou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a desistir de realizar uma operação para notificar os invasores.
A decisão foi tomada ontem, em uma reunião, em Foz do Iguaçu entre a direção do parque e funcionários do Ibama. Os técnicos e fiscais do órgão, que concluíram o relatório referente à operação, avaliaram que a situação não oferece segurança para que os funcionários atuem no local.
Segundo o diretor do Parque Nacional, Julio Gonchorosky, o Ibama deve enviar ainda hoje um relatório à Justiça Federal se declarando sem condições de executar a desocupação do parque. ‘‘Vamos comunicar a Justiça da situação, pedindo assim que ela determine que outras polícias façam a desocupação da área’’, afirmou. Anteriormente, a Justiça havia determinado que o Ibama, acompanhado das polícias Federal e Rodoviária Federal, retirasse os invasores.
Integrantes do Movimento Amigos do Parque do Iguaçu, que reabriram a Estrada do Colono, já estão acampados no local há 18 dias. Eles invadiram o parque depois que o Ibama não concluiu o Plano de Manejo, prometida para o final de dezembro. Cerca de 300 pessoas se revezam para manter a estrada aberta.
O grupo montou um sistema de segurança no local, composto por carros de som, sirene nas guaritas, bases de rádio-amador, além de escritório com computador, fax e telefone. A finalidade é alertar os invasores de uma possível chegada da polícia.
HistóricoOs moradores das regiões Oeste e Sudoeste invadiram o Parque Nacional do Iguaçu pela segunda vez no dia 11 deste mês e reabriram a Estrada do Colono, que corta a reserva, e que estava fechada desde 1986, por decisão judicial. No ano passado, o mesmo grupo ocupou o parque entre maio e julho e manteve a estrada aberta por 19 dias.
Nesta segunda invasão, eles restabeleceram o tráfego apenas para carros de passeio e caminhonetes, com a cobrança de um pedágio irregular de R$ 5,00 por veículo. Nessa taxa, incluiram a utilização de uma balsa para atravessar o Rio Iguaçu, no município de Capanema (Sudoeste). O trecho da estrada liga Capanema a Serranópolis do Iguaçu (Oeste).
A invasão foi coordenada por um grupo intitulado Movimento Amigos do Parque Nacional do Iguaçu, com o objetivo de pressionar o Ibama a concluir a revisão do Plano de Manejo do parque. Esse documento poderá permitir a reabertura legal e definitiva da estrada.
Foi a promessa de revisão do plano que levou os moradores a encerrar uma outra ocupação da área, em julho do ano passado. Em um acordo verbal feito com a Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec), entidade que liderou a ocupação naquela época, o Ibama prometeu concluir o estudo até 1º de outubro. Depois, esse prazo foi prorrogado para o final de dezembro.

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