Curitiba A empresa Alpina, contratada pela seguradora do navio chileno VicuÀa, foi autuada ontem pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) e pode ser condenada a pagar R$ 250 mil por dia se não conseguir conter a mancha de óleo que ainda se alastra pelo Litoral do Paraná. O navio explodiu no último dia 15, causando a morte de quatro tripulantes e o derramamento de cerca de 1,5 mil toneladas de óleo no mar. Depois do acidente, duas empresas trabalham para conter o vazamento, uma delas a empresa paulista Alpina, com sede em São Sebastião, ficou responsável por conter a mancha de óleo em torno do navio.
Desde o acidente, a Alpina já havia colocado três barreiras de contenção. ''Mas ontem (anteontem) à noite, verificamos que a mancha ainda estava se alastrando. Demos prazo até às 8 horas de sábado para que a mancha fosse contida e como isso não ocorreu, a empresa foi autuada'', explicou superintendente estadual do Ibama, Marino Elígio Gonçalves. De acordo com ele, a empresa colocu uma quarta barreira de contenção. O Ibama está monitorando a área e hoje ia ter uma nova posição sobre o vazamento e a eficácia do procedimento da empresa.
A Alpina foi contratada pela seguradora P&I. A Folha tentou contato com os responsáveis pela seguradora que estão acompanhado o processo, mas eles informaram que não podiam falar com a imprensa. Já a outra empresa que está realizando o esgotamento dos tanques submersos conseguiu esgotar um tanque e 70% do segundo tanque de óleo, impedindo assim novos vazamentos. O trabalho prossegue hoje.
Até ontem, o Ibama já tinha recolhido 18 animais, entre tartarugas, biguás e botos, vítimas do vazamento. Apenas três deles estavam vivos. Os animais mortos são encaminhados para o Centro do Estudo do Mar, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Pontal do Paraná. Os vivos são encaminhados para tratamento num local improvisado no próprio Porto de Paranaguá.
Segundo informou o Corpo de Bombeiros, o corpo da quarta vítima do acidente ainda não tinha sido encontrado e a terceira vítima, encontrada anteontem próximo aos destroços do navio, não tinha sido identificada até ontem à tarde. O corpo ainda está no Instituto Médico Legal (IML) de Paranaguá.
Hoje, uma reunião promovida pelo Sindilitoral, que representa duas mil empresas entre restaurantes, pousadas e hotéis do Litoral, vai discutir as ações para tentar evitar danos também para o turismo. De acordo com o presidente do sindicato, José Carlos Chicareli, uma ação judicial deve ser movida contra os responsáveis pelo acidente para amenizar os danos.
Até agora, quatro empresas (Catalinni, Sociedad Naviera Ultragas, P&I e Wilson Sons) foram citadas pelo Ibama como responsáveis pelo acidente. Um laudo está sendo produzido pelo instituto para levantar o valor total da multa e os danos ambientais causados. Ainda não há prazo para que o relatório seja concluído.

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