Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Depois de 108 dias interditado, o Macuco Safári, como é conhecido o passeio de barco que leva turistas até as Cataratas pelo Rio Iguaçu, foi novamente autorizado a funcionar pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O passeio foi proibido depois do acidente ocorrido em 5 de setembro, quando um choque entre dois dos barcos da Ilha do Sol Turismo, empresa que faz o passeio, matou seis turistas estrangeiros e um dos pilotos.
A autorização junto à Justiça Federal foi assinada anteontem em Brasília. A assinatura definitiva do contrato, que liberou a empresa para funcionar, foi realizada às 15h30 de ontem na sede administrativa do Parque Nacional do Iguaçu. Assinaram o diretor do parque, Júlio Gonchorosky, o representante do Ibama no Paraná, Luiz Antonio Nunes de Melo, e os sócios-proprietários da Ilha do Sol, Alexander Peter Schorsch e Ademir Fernandes dos Santos.
Gonchorosky explicou que a liberação do passeio ocorreu baseada no parecer final do inquérito da Marinha, que não acusou problemas técnicos no acidente, mas sim falha humana (veja texto ao lado).
A elaboração deste contrato foi necessária porque a empresa estaria com a autorização vencida há cerca de dois anos. ‘‘O Macuco funcionava através de uma ‘‘ação emergencial’’, conseguida depois do final do primeiro contrato, que durou de 1986 a 96. A renovação não foi possível na época pelo fato de um grupo de empresários terem entrado com uma ação na Justiça contra o Ibama, pedindo nova licitação para o passeio’’, detalhou Gonchorosky.
Pelas cláusulas do contrato, a empresa terá que pagar R$ 16 mil mensais pelo direito de usar a estrutura do parque durante 10 anos. Dentro deste prazo, as condições do passeio serão avaliadas anualmente.
Segundo o representante do Ibama, Nunes de Melo, algumas exigências foram incluídas no contrato como a instalação obrigatória de um sistema de comunicação nos barcos e um treinamento mais intensivo para os pilotos. ‘‘Também ficou definido que alguns pontos das corredeiras darão passagem somente a uma embarcação simultaneamente’’, disse Melo.
Para os sócios da Ilha do Sol, voltar a trabalhar depois de quase quatro meses é um alívio. Mesmo depois de assinado o contrato, a empresa vai esperar mais uma semana para começar a atender aos turistas. Alex Schorsch explicou que precisa revisar todo o equipamento e ‘‘desenferrujar’’ os pilotos, treinando todos em barcos vazios nas corredeiras.
Ainda vai ser preciso adaptar os jipes usados para levar turistas que querem conhecer as trilhas do parque, para que funcionem por eletricidade e não mais com combustível comum. A medida serve para diminuir o impacto ambiental provocado pelos carros da empresa.
Amanhã, o representante do Ibama deve se reunir com o comandante da Capitania Fluvial do Rio Paraná para discutir os detalhes finais da volta do passeio e pedir o acompanhamento da Marinha durante a fase de sua reabertura.

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