Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O Parque Nacional do Iguaçu, a unidade mais rentável administrada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) no País, está com contas de água, luz, telefone e outros serviços atrasadas em até quatro meses. A dívida já chega a R$ 100 mil. Empresas como Copel, Sanepar, Telepar e a Xerox estão entre os principais credores.
O Ibama tem prazo até amanhã para acertar com a Telepar, cujas contas estão atrasadas desde abril. Caso contrário, o parque pode ter as linhas telefônicas cortadas parcialmente - seus telefones poderão apenas receber chamadas. A dívida com a Telepar é de aproximadamente R$ 9,8 mil, referentes às contas de abril, maio e junho.
A Copel é a empresa que tem o maior valor a receber - cerca de R$ 25 mil. As contas de luz não são pagas desde março. O aviso de corte já foi enviado. Porém, segundo a direção da empresa, essa possibilidade é muito remota, porque sempre há negociação com órgãos federais.
O diretor do parque Júlio Gonchorosky, disse que aguarda a liberação da verba para os pagamentos, mas não tem previsão de data. ‘‘O governo passa por dificuldades orçamentárias e o parque não é exceção’’, justifica. O corte de gastos nas contas do governo reduziu em até 40% o orçamento do Ministério do Meio Ambiente, ao qual o Ibama é vinculado.
Todo o dinheiro arrecadado pelos parques administrados pelo Ibama é enviado ao órgão, que deve repassar verbas mensais para a manutenção deles. Segundo Gonchorosky, neste ano, o parque deveria ter recebido R$ 580 mil para a manutenção e até agora recebeu apenas R$ 280 mil.
‘‘Recebíamos cerca de R$ 100 mil por mês para as despesas. Mas, desde o início do ano, o dinheiro tem vindo de forma aleatória.’’ Gonchorosky acredita que não há possibilidade de o parque vir a ser fechado à visitação pública por falta de pagamento. ‘‘A única possibilidade é ficar sem água e luz’’, afirmou.
O parque tem duas contas de água vencidas - maio e junho -, que somam aproximadamente R$ 2 mil. O atraso no pagamento das contas vem se repetindo desde o ano passado e até hoje não houve corte de serviços.

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