Ibama apreende carga de madeira de lei
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quinta-feira, 28 de outubro de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Apoiados pela Polícia Florestal, o escritório regional do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Londrina apreendeu ontem uma carga com pelo menos 45 metros cúbicos de madeira sem documentação ambiental de transporte de produto florestal (TPF). Além disso, misturado às peças de cambará, os fiscais encontraram também peças de castanheira, árvore protegida por lei e que integra a lista de espécies ameaçadas de extinção. A carga foi apreendida e levada para um depósito no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). A prática, segundo o órgão ambiental, é comum na região.
De acordo com a chefe regional do Ibama, Neusa Maria Emídio, a carreta com placas de São Paulo chegou de Sinop (MT) na última segunda-feira. Como a madeireira onde o produto seria entregue recusou-se a receber por falta da documentação, o dono da carga deixou o caminhão no pátio de um posto de combustíveis na PR-445, saída para Curitiba (Zona Sul), até conseguir fechar negócio com outra empresa.
A Polícia Florestal recebeu uma informação anônima e fez campana no local para identificar o motorista e o proprietário do carregamento. O Ibama também foi acionado e obteve um mandado de busca e apreensão junto ao Juizado Especial Criminal. Em vistoria ontem, os fiscais constataram que o caminhão estava carregado com cambarás e castanheiras já beneficiadas. Na checagem da documentação, os fiscais do Ibama apuraram que a carga não possuía a autorização obrigatória para transporte de produtos florestais.
Além disso, a nota fiscal especificava que a carga era de 33 metros cúbicos mas os fiscais estimaram que havia pelo menos 45 metros de madeira no caminhão. O valor total do carregamento foi estimando em, no mínimo, R$ 18 mil, já que o metro cúbico é negociado por cerca de R$ 400,00. Tanto a carga quanto a carreta foram apreendidas.
O proprietário da carga, o maringaense Daniel Matter, 37 anos, alegou que o carregamento veio sem a documentação exigida pela legislação ambiental porque o Ibama do Mato Grosso estaria em greve há vários dias e ele não poderia manter o caminhão parado e contabilizando prejuízos. Ele disse que desconhecia que entre as peças de cambará também haviam peças de castanheiras. Matter foi autuado e está sujeito ao pagamento de multa que varia de R$ 100,00 a R$ 500,00 por metro cúbico. Até o fechamento desta edição, o valor total da multa ainda não havia sido estipulado.
O Ibama deverá concluir o processo administrativo e remeter o caso para apreciação do Ministério Público, que poderá oferecer denúncia criminal contra o proprietário da carga. Segundo a chefe regional do Ibama, esse tipo de prática está se tornando comum na região. Madeireiros compram carga com madeira autorizada e no meio da carga camuflam peças de castanheiras, cujo valor de mercado é maior. Outra estratégia é usar notas fiscais e TPFs de empresas fantasmas para fazer o transporte.


