O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) multou ontem em R$ 35 mil a prefeitura de Arapongas (37 quilômetros a oeste de Londrina) por poluir a nascente do Ribeirão Três Bocas, no Jardim São Rafael. Há mais de seis meses 140 indústrias moveleiras da cidade depositavam resíduos sólidos no local.
A prefeitura, que tem 20 dias para pagar a multa, foi obrigada a limpar uma faixa de 100 metros de área de preservação ambiental permanente. As indústrias estão proibidas de depositar os entulhos no local. Segundo a chefe regional do Ibama, Neusa Maria Emídio, a prefeitura vai apresentar um projeto de recuperação ambiental a ser entregue no prazo de 30 a 60 dias. Dependendo da qualidade do projeto, o valor da autuação pode ser reduzido em até 90%.
Ontem, em reunião na sede regional do Ibama, em Londrina, secretários municipais e representantes do Sindicato das Indústria Moveleira de Arapongas (Sima) apresentaram um esboço do plano de recuperação, se comprometendo a cumprir as determinações do órgão.
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) está analisando o teor de contaminação da água recolhida na última semana, quando o Ibama notificou o município pela poluição. Depois da conclusão do teste, as indústrias responsáveis por eventuais contaminações vão ser multadas pelo Ibama. O secretário de serviços públicos, Mauro Rodrigues Mello, informou que a limpeza dos 100 metros de faixa de preservação deve começar hoje. ‘‘Vamos também implantar um projeto de paisagismo com o reflorestamento de toda a área afetada’’.
Odair Siqueira, administrador do Ibama, esteve no aterro e constatou a existência de uma galeria pluvial (chuva) próximo à nascente, que deposita diariamente esgoto líquido de indústrias da região. ‘‘Nessa questão estamos trabalhando ao lado do IAP para identificar de onde vem esses efluentes’’, informou.
De acordo com o sindicato dos moveleiros, a usina de reciclagem preparada para gerir os resíduos industriais deve estar em atividade em 30 dias, reaproveitando cerca de 95% dos materiais. O Sima comprou um terreno na zona rural da cidade para aterrar os resíduos não recicláveis. O IAP estuda ainda a viabilidade da área. Segundo a direção do sindicato, aproximadamente R$ 750 mil já foram investidos na resolução do problema ambiental.

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