O escritório do Instituto Brasileiro de Meio-Ambiente e Recursos Naturais Renováveis de Londrina (Ibama) ampliou o prazo para o cadastramento de animais silvestres até quarta-feira. Mas só serão atendidas as pessoas que tiverem a senha distribuída ontem, último dia para o cadastramento dentro do prazo inicial.
O prazo foi ampliado por falta de condições de atendimento a todas as pessoas que passaram ontem pelo Ibama. A fila começava no escritório, no 5º andar do edifício Manella, na rua Maranhão, 177, e só terminava na calçada. Segundo os funcionários, mais de 150 proprietários de animais fizeram o cadastramento ontem. As senhas foram distribuídas para mais de 300 pessoas que terão que voltar na segunda, terça ou quarta-feira, conforme o número da senha. O número de pessoas que procuraram o Ibama ontem supera todos os cadastramentos feitos durante todo o mês - cerca de 260.
Para agilizar o atendimento, os quatro funcionários do Ibama chamaram reforço. Dois soldados da Polícia Florestal passaram toda a tarde dando informações e analisando a documentação das pessoas que esperavam na fila. Para não interromper o trabalho no escritório, as senhas foram distribuídas por um funcionário do escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
Mesmo assim, quem deixou para o último dia teve que ter muita paciência para regularizar a vida dos bichinhos. Depois de horas esperando na fila, pelos corredores quentes e apertados do prédio, reclamação era o que não faltava. A maioria das pessoas teve que enfrentar ainda outra fila - a da papelaria ao lado onde estava o formulário para ser xerocado. Segundo o administrador do Ibama, Odair Antonio Siqueira, o documento foi deixado na livraria para facilitar o atendimento no escritório.
Com a senha 163, a fotógrafa Carmita Benazi terá que voltar na terça-feira para cadastrar o papagaio de estimação. Isso depois de enfrentar mais de uma hora e meia de espera entre as duas filas. ‘‘Peguei a fila no 3º andar e depois esperei mais uns 40 minutos na livraria para conseguir xerocar’’, diz. O estudante Flávio Sambatti entrou na fila, já no 2º andar do prédio, ao meio-dia. Às 17 horas ele ainda continuava esperando. ‘‘Na primeira vez que vem estava faltando documentos, saí enfrentei a fila da papelaria e agora vou tentar de novo’’, disse. ‘‘Recebi uma senha para segunda-feira, mas não posso voltar’’.
Já conformado com as filas, o funcionário público João Firmino Toledo, reclamava da ‘‘exploração’’ dos veterinários para fazer o laudo dos animais. ‘‘O Ibama deveria ter um veterinário para atender com preço unificado porque na Cidade cada um cobra o quer - um pede R$ 10,00, o outro R$ 20,00’’, disse. Ele tem 40 passarinhos. O laudo é cobrado por animal. O chacareiro José Vitor dos Santos não se incomodou em enfrentar as filas para regularizar a vida dos 20 pássaros que tem de estimação. ‘‘Vale a pena enfrentar essa fila para não ir preso’’, afirma. ‘‘Se você tem um passarinho no cativeiro pode ir preso, mas se matar um homem e fugir do flagrante está fora da cadeia’’. Manter animais silvestres em cativeiro é crime inafiançável. A pena é de 3 a 5 anos de detenção.Marcos BorgesEsperaDepois de horas na fila, quem não conseguiu ser atendido recebeu senha para voltar semana que vemEdmara Michetti

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