TréguaEm 19 de junho o trânsito foi interrompido e os manifestantes desocuparam o parque por determinação da Justiça O prazo para a revisão do Plano de Manejo do Parque Nacional do Iguaçu, documento que vai avaliar a possibilidade de reabertura da Estrada do Colono, será de 120 dias. A informação foi passada à Folha, por telefone, pelo superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Paraná, Jonel Iurk.
Acordo informal entre o Ibama e a Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec) - entidade que coordenou uma ocupação da área do parque cortada pela estrada por quase dois meses - estabelecia um prazo de 90 dias para o reestudo do plano. Com base nesse acordo, os invasores desocuparam o parque no último dia 1º.
Iurk afirmou que serão necessários quatro meses para que os técnicos contratados pelo órgão realizem os estudos necessários. O superintendente disse também que o acordo que possibilitou a retirada dos invasores do parque não estabelecia um prazo exato. ‘‘Às vezes, as informações da Aipopec não batem com as nossas’’.
Lideranças da Aipopec ouvidas ontem pela Folha confirmaram que a ‘‘trégua’’ de 90 dias foi dada com base em uma promessa do Ibama de concluir a revisão do Plano de Manejo nesse período.
‘‘Se esse prazo for descumprido, a população pode reocupar a estrada de imediato e isso vai escapar do nosso controle’’, afirmou o chefe de gabinete da Prefeitura de Serranópolis do Iguaçu, Leonir Colombo. Ele é irmão do deputado estadual Irineu Colombo (PT), principal liderança política do movimento pela reabertura da estrada. ‘‘Houve resistência da população para aceitar os 90 dias de prazo e ninguém vai querer esperar mais’’.
Plano de Manejo é um documento que estabelece as formas de ocupação permitidas para cada área de uma reserva florestal. O documento em vigor no Parque Nacional do Iguaçu foi elaborado em 1981 e define a área cortada pela Estrada do Colono como ‘‘intangível’’ - na qual é proibida a presença humana.
Com a pressão política e a mobilização popular obtidas com a invasão, a Aipopec espera que, na revisão, os técnicos considerem que a área pode comportar o funcionamento de uma estrada e ‘‘autorizem’’ a reabertura.
Segundo o superintendente do Ibama, a composição da equipe multidisciplinar - composta por biólogos, zootecnistas, engenheiros florestais e cartógrafos - será concluída até hoje e os trabalhos de campo serão iniciados na próxima semana. ‘‘Será um trabalho estritamente técnico, que pode concluir pela reabertura ou não’’, preveniu Iurk.
A formação desse grupo está sendo coordenada pela Diretoria de Ecossistemas do Ibama (Direc), em Brasília, divisão que presta apoio técnico às unidades de conservação espalhadas pelo país. Iurk afirmou que estão sendo contratados ‘‘técnicos de renome’’ e consultores internacionais.
Ele disse também que os ‘‘instrumentos de pressão são legítimos em todos os ângulos’’, mas que a equipe - composta por cerca de dez pessoas - não se deixará influenciar. Ele se referia à pressão dos dois lados envolvidos na questão: moradores e políticos das regiões que seriam beneficiados pela estrada (favoráveis á reabertura) e ambientalistas (contrários).

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