Um processo de reestruturação do Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - programado pelo Ministério do Meio Ambiente para ser implantado nos próximos 60 dias, em todo o país, vem preocupando os ambientalistas do Paraná. Na última segunda-feira o Diário Oficial publicou a nova estrutura do Instituto, que prevê a extinção de 27 superintendências estaduais e pelo menos 200 unidades regionais de todo o Brasil. Entre elas, 15 das 20 existentes no Estado podem ser fechadas, o que deverá ajudar na redução do orçamento nacional.
A idéia inicial é a de manter apenas os escritórios de Curitiba, Cascavel, Foz do Iguaçu, Londrina e União da Vitória. Exatamente o ponto onde reside a maior resistência dos ambientalistas. Segundo eles, justamente o escritório de Paranaguá, onde existe toda a atividade portuária e uma grande área de preservação ambiental, será fechado, deixando todo o litoral sul sem a menor fiscalização.
‘‘Nós já fizemos até uma carta para o ministro José Sarney, questionando o critério de escolha das unidades que serão mantidas’’, explica Clóvis Borges, diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem.‘‘Não conseguimos entender porque serão mantidos dois escritórios tão próximos, o de Cascavel e o de Foz do Iguaçu, enquanto o litoral vai ficar totalmente desprotegido’’.
Segundo o grupo, se com o Ibama já era difícil o controle da degradação ambiental, sem ele a tarefa vai ficar praticamente impossível. Para dimensionar o problema Borges cita alguns exemplos como o da exploração do palmito, o da pesca predatória e o da exploração turística descontrolada. ‘‘Não queremos dizer que o Ibama controlava tudo isso realmente, mas pelo menos ajudava neste processo’’, declara.
Segundo a presidência do Ibama, em Brasília, a nova estrutura permitirá uma desburocratização nos serviços do Instituto e uma melhor integração dele com o próprio Ministério do Meio Ambiente. ‘‘O que pretendemos não é acabar com o Ibama, mas criar um serviço mais técnico que político’’, explica Rômulo Mello, coordenador de projetos do Meio Ambiente.‘‘A efetividade disso só vai ser concretizada daqui a 60 dias. Antes de qualquer desativação o Ministério deverá fazer uma análise criteriosa das necessidades da própria sociedade’’.
Segundo Mello, o processo de reestruturação ainda é decorrente da administração anterior do Ibama e passará por novas análises durante os próximos 60 dias, período previsto para sua implantação.

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