Aparentemente, a maior parte das mil mudas de araucária do Parque da Mina Velha, em Ibaiti (Norte Pioneiro), plantadas pela comunidade em maio de 2005, resistiu à recente estiagem e deve prosperar. Mas a ampliação do plantio, que numa projeção mais otimista poderia atingir 100 mil árvores em quatro anos, será impossível enquanto não houver a desapropriação da área do Parque, que o município estabelece em 100 alqueires e o Governo do Estado reduz a pouco mais de 20, em termos de unidade de conservação.
O parque fica a um quilômetro e meio do centro da cidade, guardando remanescente da vegetação original no vale profundo em que se precipita o Ribeirão Barra Bonita, num salto de 30 metros. Além das araucárias, há outras atrações para os visitantes. Ali também estão as minas de carvão exauridas nos anos 40. Uma das galerias da mina está sob o leito do ribeirão, permitindo ao visitante chegar a um lugar atrás do salto. Bem-conservada encontra-se a grande chaminé, que serve de mirante. Outro atrativo, a 1.500 metros da mina, é o Arco da Gruta, esculpido no arenito pelos ventos e as chuvas (erosão eólica). Dentro da gruta, em frente ao arco, há um riacho cristalino.
Sempre reivindicando a desapropriação da área, por parte do Estado, a Prefeitura e ecologistas orientaram o plantio de mudas de araucárias durante o II Rally Ecológico, no final de maio do ano passado. Era a contribuição de Ibaiti para evitar o desaparecimento da Araucária angustifolia, árvore que representou 43% (73.780 km2) da primitiva cobertura florestal do Paraná (164.824 km2) e que atualmente ocupa apenas entre 0,4 e 0,8% de toda a área verde do Estado.
O Parque Municipal da Mina Velha foi criado em 21 de setembro de 1985, pelo prefeito Dirceu Silveira Bueno, em 85 alqueires. O Governo do Estado, por sua vez, admite pouco mais de 20 alqueires (46,7 hectares), declarados de utilidade pública para fins de desapropriação, conforme decreto de março de 1992.
''Foi um equívoco de quem fez o laudo'', diz Rui Martins Lisbôa, secretário municipal de Obras. ''Visão míope, que levou em conta só a parte onde tem mato'', afirma, apontando para a necessidade de se preservar a bacia inteira do Ribeirão Barra Bonita. ''As terras são baratas'' - argumenta, referindo-se ao valor de R$ 12 mil por alqueire; R$ 1,2 milhão seriam suficientes para o Estado desapropriar os 100 alqueires. ''Isto é um sonho e uma necessidade'', afirma Rui, um dos mais ativos ambientalistas da região. Ele acha viável a produção de mudas e o plantio de 100 mil araucárias nos próximos anos, desde que se legalize o parque. ''O governo que faça a sua parte ou diga claramente que não tem interesse'', sugere, baseando-se no fato de o parque figurar entre as unidades de conservação estaduais. ''O governo usa a gente, mas não desempenha o papel dele.''
Parecendo justificar a crítica ''só existe no papel'', expressa por Rui, o parque gerou um calhamaço, em que é mencionado como municipal em alguns documentos e estadual em outros.
Sucessivos laudos e relatórios de vistorias de representantes do Estado aprovam a área menor e recomendam a sua transformação em parque municipal. ''Achamos melhor o Estado revogar o Decreto 1.233/92, acabando com a perspectiva de se criar um parque estadual no local'', dizem os laudos.
Outros relatórios indicam que, de 1998 a 2001, a administração investiu na estruturação e manutenção do parque, usando dinheiro do Município, do Estado e do Governo Federal (convênios), a ponto de merecer elogios, mas sem conseguir satisfazer todas as exigências do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), motivo para se recomendar a suspensão do pagamento de ICMS ecológico.

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