Iasp aponta que 30% dos jovens voltam ao crime
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segunda-feira, 24 de outubro de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Cerca de 30% dos adolescentes em conflito com a lei, que passam por medidas sócio-educativas ou por privação de liberdade, voltam a cometer delitos. O dado foi apresentado ontem pela diretora do Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp), Thelma Alves de Oliveira, durante a reunião da operação Mãos Limpas. O mais alarmante, segundo ela, é o crescente número de adolescentes assassinados, após deixarem as unidades do Iasp, por se negarem a trabalhar, novamente, para quadrilhas de tráfico ou, ainda, por causa de dívidas com traficantes.
O maior número de mortes estaria acontecendo em Curitiba, Londrina e Foz do Iguaçu. No entanto, não existem estatísticas oficiais precisas. Segundo Thelma, a média de mortes violentas de adolescentes e jovens, em Londrina, seria próxima de 100 por ano. No ano passado, foram contabilizadas 51 mortes por arma branca ou de fogo, entre adolescentes com idade entre 12 e 16 anos. Esse número é 18,6% maior do que em 2003, quando foram registrados 43 homicídios de adolescentes.
Thelma acredita que a maior parte das mortes esteja relacionada ao tráfico. A afirmação toma por base os relatos do histórico dos adolescentes que passaram pelas unidades do Iasp. Um dos casos, relembrou ela, foi de um menino de Rolândia que havia passado por tratamento por seis meses por causa da dependência do crack, e quando saiu da unidade foi morto por uma dívida de R$ 5,00 com traficantes.
Por conta dessas estatísticas, o governador Roberto Requião (PMDB) determinou, ontem, durante a reunião da operação Mãos Limpas, que Secretaria de Estado da Segurança Pública e o Iasp realizem operações especiais para monitorar e investigar o envolvimento de jovens com quadrilhas de tráficos de drogas.
O Iasp, informou Thelma, já faz o monitoramento dos adolescentes que deixam as unidades de internação provisória. ''A idéia é identificar mais sistematicamente esses casos e pensar em uma ação mais impactante'', acrescentou. Já existem programas como o ''Jovem Aprendiz'', que prevê a profissionalização dos adolescentes e sua colocação no mercado de trabalho, mas outras medidas de proteção serão estudadas.
Uma alternativa pode ser a criação de uma ''rede de acolhimento solidária''.
''São ações para que o adolescente, ao retornar ao convívio social, possa ter o apoio de sua família e de sua comunidade para depois ser inserido em programas de esporte, lazer e de profissionalização'', explicou.
O secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, disse que já existe um trabalho integrado entre a Polícia Federal e a Delegacia de Homicídios para identificar não só o autor do assassinato, mas o mandante do crime que, em geral, é o traficante. ''Vamos dar continuidade a esse trabalho de forma mais organizada.''


