A Associação dos Imigrantes no Brasil (Asibras) resgata na próxima terça-feira, dia 15, mais uma brasileira que enfrenta dificuldades no Japão por causa do desemprego. A adolescente Iara Pamela Gonzaga Suzuki, 17 anos, embarca em Nagoya às 14 horas e chega a São Paulo às 6h30 de quarta-feira, dia 16.
Segundo a mãe da adolescente, Maria Gonzaga da Rocha, 39 anos, Iara está no Japão há cerca de um ano, apesar de ser menor de idade. ‘‘A minha filha foi ao Japão para ajudar na renda familiar, porque estou separada do pai dela (o londrinense José Suzuki Filho) e passando grande dificuldade financeira. Agora, desempregada, tenho medo que ela caia nas mãos da máfia japonesa’’.
Ontem, Maria Gonzaga e o padrasto da adolescente, Duílio Luiz Ramos, que moram em Jundiaí (SP), participaram de reunião em São Paulo com o presidente da Asibras, Sergio Morinaga. A conversa foi sobre o retorno de Iara e a assistência médica que ela está recebendo da Nipomed - uma empresa de assistência médica -, parceira da Associação dos Imigrantes e da Vasp na operação de resgate de dekasseguis.
A família foi informada que, de acordo com levantamento feito pela Nipomed, a adolescente está com infecção no ovário e na garganta, mas não procurou atendimento por estar desempregada há cerca de cinco meses.
Iara, segundo apurou a empresa de assistência médica, está vivendo de favores na casa de uma amiga e recebia a ajuda de um grupo de canadenses que estava em Nagoya. Antes de retornar para o Canadá, o grupo teria financiado a passagem para Iara voltar ao Brasil.
Por telefone, Maria Gonzaga disse ontem à Folha que ela e a família moraram em Londrina até 1988, quando ocorreu a mudança para Jundiaí. ‘‘A Iara nasceu em São Paulo mas foi criada em Londrina’’, afirmou. A mulher garantiu também que, após a ajuda dada pela Asibras, trabalhará na localidade onde mora no auxílio de pessoas que estão trabalhando no Japão e enfrentam dificuldades.
‘‘Fiquei assustada na época que minha filha começou a preparar a documentação para trabalhar no Japão. Ela tinha menos de 15 anos, mas uma agência de Campinas (SP) garantiu que se Iara ficasse desempregada, a manteria em um alojamento. Não foi o que aconteceu’’, disse a mulher.
A adolescente foi despedida depois de cinco meses de trabalho como dekassegui e, ultimamente, conforme constatou a Nipomed, ela conseguia algum dinheiro trabalhando como atendente em uma casa de karaokê.
Iara será a 13ª dekassegui a ser resgatada pela operação deflagrada pela Asibras. Antes dela, a entidade resgatou cinco londrinenses e sete pessoas de São Paulo.
Além da Vasp e da Nipomed, a Folha do Paraná/Folha de Londrina e o Centro de Direitos Humanos de Londrina participam da campanha ‘‘SOS Dekassegui’’. A entidade não-governamental londrinense desenvolve trabalho de assistência às famílias que têm pessoas trabalhando no Japão, principalmente nas questões jurídicas.
Também em Londrina, a Superintendência Regional da Polícia Federal abriu inquérito para investigar a atuação de agências que enviam trabalhadores brasileiros para o Japão.

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