Iara será a 13ª dekassegui resgatada
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quinta-feira, 10 de setembro de 1998
Walter Ogama 
A Associação dos Imigrantes no Brasil (Asibras) resgata na próxima terça-feira, dia 15, mais uma brasileira que enfrenta dificuldades no Japão por causa do desemprego. A adolescente Iara Pamela Gonzaga Suzuki, 17 anos, embarca em Nagoya às 14 horas e chega a São Paulo às 6h30 de quarta-feira, dia 16.
Segundo a mãe da adolescente, Maria Gonzaga da Rocha, 39 anos, Iara está no Japão há cerca de um ano, apesar de ser menor de idade. A minha filha foi ao Japão para ajudar na renda familiar, porque estou separada do pai dela (o londrinense José Suzuki Filho) e passando grande dificuldade financeira. Agora, desempregada, tenho medo que ela caia nas mãos da máfia japonesa.
Ontem, Maria Gonzaga e o padrasto da adolescente, Duílio Luiz Ramos, que moram em Jundiaí (SP), participaram de reunião em São Paulo com o presidente da Asibras, Sergio Morinaga. A conversa foi sobre o retorno de Iara e a assistência médica que ela está recebendo da Nipomed - uma empresa de assistência médica -, parceira da Associação dos Imigrantes e da Vasp na operação de resgate de dekasseguis.
A família foi informada que, de acordo com levantamento feito pela Nipomed, a adolescente está com infecção no ovário e na garganta, mas não procurou atendimento por estar desempregada há cerca de cinco meses.
Iara, segundo apurou a empresa de assistência médica, está vivendo de favores na casa de uma amiga e recebia a ajuda de um grupo de canadenses que estava em Nagoya. Antes de retornar para o Canadá, o grupo teria financiado a passagem para Iara voltar ao Brasil.
Por telefone, Maria Gonzaga disse ontem à Folha que ela e a família moraram em Londrina até 1988, quando ocorreu a mudança para Jundiaí. A Iara nasceu em São Paulo mas foi criada em Londrina, afirmou. A mulher garantiu também que, após a ajuda dada pela Asibras, trabalhará na localidade onde mora no auxílio de pessoas que estão trabalhando no Japão e enfrentam dificuldades.
Fiquei assustada na época que minha filha começou a preparar a documentação para trabalhar no Japão. Ela tinha menos de 15 anos, mas uma agência de Campinas (SP) garantiu que se Iara ficasse desempregada, a manteria em um alojamento. Não foi o que aconteceu, disse a mulher.
A adolescente foi despedida depois de cinco meses de trabalho como dekassegui e, ultimamente, conforme constatou a Nipomed, ela conseguia algum dinheiro trabalhando como atendente em uma casa de karaokê.
Iara será a 13ª dekassegui a ser resgatada pela operação deflagrada pela Asibras. Antes dela, a entidade resgatou cinco londrinenses e sete pessoas de São Paulo.
Além da Vasp e da Nipomed, a Folha do Paraná/Folha de Londrina e o Centro de Direitos Humanos de Londrina participam da campanha SOS Dekassegui. A entidade não-governamental londrinense desenvolve trabalho de assistência às famílias que têm pessoas trabalhando no Japão, principalmente nas questões jurídicas.
Também em Londrina, a Superintendência Regional da Polícia Federal abriu inquérito para investigar a atuação de agências que enviam trabalhadores brasileiros para o Japão.


