O aumento diferenciado para servidores estaduais com nível superior deflagrou movimentos de reivindicação entre funcionários do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Os técnicos e funcionários administrativos do Iapar já estão em greve. Os servidores da PEL estão com paralisação marcada para 3 de abril (quinta-feira).
Os funcionários do Iapar paralisaram as atividades desde segunda-feira, em protesto à decisão do Governo do Estado em só conceder reajuste salarial aos servidores de nível superior. O reajuste que varia de 30% a 80% está previsto em mensagens enviadas anteontem à Assembléia Legislativa. Com isso, aproximadamente mil técnicos e funcionários administrativos do Iapar não terão aumento salarial. A paralisação é por tempo indeterminado.
O presidente da comissão de funcionários do Iapar, Ricardo Cláudio de Moura, calcula que o movimento já atinge 75% do quadro de pessoal. A expectativa, segundo ele, é que a paralisação atinja 90% dos funcionários. O grupo beneficiado com a medida do governo no Iapar é de 220 pesquisadores.
‘‘Não somos contra o reajuste do pessoal de nível superior, mas queremos isonomia’’, argumenta Moura. Ele ressalta que a categoria está em negociação com esse governo desde o início da gestão e até o momento nada foi conseguido. A defasagem salarial, segundo ele, chega a 500%.
Moura ressalta que em março de 96, ao vetar a extensão da gratificação de incentivo à pesquisa aos técnicos, o governador Jaime Lerner teria garantido um reajuste para a categoria. A gratificação, de até 60% dos salários, foi aprovada pela Assembléia Legislativa no final de 95 para o pessoal de nível superior. ‘‘Mas o governador vetou com a promessa de aumento depois’’, disse.
Ontem, de acordo com Moura, o presidente do Iapar, Wilson Pan, viajou para Curitiba para uma conversa com representantes do governo sobre a situação.
Outros servidores estaduais também podem entrar em greve na Cidade nos próximos dias: são os funcionários da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). O Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário do Paraná (Sinssp) marcou para o dia 3 de abril o início da paralisação das atividades da categoria em todo o Estado. De acordo com o presidente do Sinssp, Ismael Salgueiro Meira, a greve será por tempo indeterminado. A categoria reivindica 65% de reajuste salarial, pagamento de adicional noturno, licença especial, retorno da ‘‘gratificação por zona’’, pagamento de precatório e implantação de um plano de cargos.
A assembléia estadual para a deflagração da greve está marcada para Curitiba, na tarde do dia 2. O Sinssp representa cerca de 3 mil servidores - entre técnicos administrativos e agentes de segurança - das nove unidades penais existentes no Estado. Segundo o presidente do Sindicato, os funcionários estão há 19 meses sem reposição das perdas salariais e o Governo fechou os canais de negociação.
O Sindicato já distribuiu entre os funcionários, inclusive, boletim explicando quais os setores que devem parar totalmente ou manter um funcionamento, no mínimo, durante o período de greve. Há a preocupação, por se tratar de um setor de segurança pública, de se manter trabalhando os 30% de agentes penitenciários previstos em lei.
O secretário estadual de Justiça - ao qual está subordinado todo sistema presidiário do Paraná -, Edson Vidal Pinto, disse ontem em Londrina não acreditar que a ameaça de greve seja concretizada pelos servidores. ‘‘Estou tranquilo, porque sei que esta medida extrema não será tomada por nossos funcionários, que têm plena consciência da importância e da responsabilidade social do trabalho deles.’’ O secretário comentou ainda: ‘‘O Governo está procurando, através de uma política salarial montada pela Secretaria de Administração, equacionar estes problemas de recursos humanos e de salários.’’

mockup