Lino Ramos
De Londrina
Especial para a Folha
O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e o Centro Nacional de Pesquisa de Soja da Embrapa, em Londrina, defendem a ampliação de parcerias com a iniciativa privada para manter o trabalho científico desenvolvido ao longo dos últimos anos e buscar novas tecnologias.
O diretor-presidente do Iapar, Florindo Dalberto, afirma que a reformulação do Estado trouxe uma restrição financeira ao setor. Com orçamento de R$ 25 milhões, incluindo a folha de pagamento, atualmente o Iapar consegue captar 10% de seus recursos junto ao setor empresarial e quer elevar essa parceria para, no mínimo, 20%.
Dalberto diz que o Iapar enfrenta dificuldades para negociar com o mercado. ‘‘Há restrições burocráticas e de regulamentações e nesse processo estamos analisando a qualificação do Iapar como agência pública, mantendo a atual forma jurídica de autarquia.’’
Para evitar uma defasagem tecnológica, Florindo Dalberto alerta que o instituto precisa desenvolver pesquisas nos campos da biotecnologia, qualidade dos alimentos, bio-informática e agricultura de precisão.
Já o Centro Nacional de Pesquisa de Soja (CNPSoja), da Embrapa, consegue obter até 40% de seu custeio junto ao setor não-governamental, mas na avaliação do chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da unidade, Paulo Roberto Galerani, trabalhos sem interesse comercial continuarão dependendo exclusivamente das verbas públicas.
O custeio anual da unidade de pesquisa da soja de Londrina (sem incluir folha de pagamento) é de aproxidamente R$ 2,3 milhões, sendo que a previsão de repasse do governo federal para este ano é de R$ 1,6 milhão. Galerani entende que o CNPSoja tem uma posição privilegiada entre as 39 unidades da Embrapa no país. ‘‘Não supre nossas necessidades, mas possibilita não pararmos com os trabalhos’’.
O chefe da unidade adverte que o governo precisa se responsabilizar pelas pesquisas ‘‘não vendáveis’’, que não interessam a iniciativa privada, mas o setor produtivo também precisa viabilizar as pesquisas de novas tecnologias. ‘‘Em relação ao cancro da haste, a grande maioria dos produtores que foi beneficiada não contribuiu. Sem a iniciativa privada haverá perdas irreparáveis nas pesquisas’’.
Para Ivan Frederico Lupiano Dias, da Coordenadoria de Pesquisa e Pós-graduação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a busca de investimentos no setor privado não irá resolver o problema da pesquisa. Ele cobra o funcionamento da Fundação Araucária, criada com a regulamentação do artigo 205 da Constituição Estadual, que prevê a destinação de 2% da arrecadação do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) para o trabalho científico. Ele cita o exemplo de São Paulo, que há 15 anos aplica 1% de seu ICMS em pesquisa.
Ivan se mostra favorável às parcerias, mas lembra que mesmo nos Estados Unidos institutos tecnológicos como o do estado de Massachussets conseguem captar um percentual de até 20% de seu orçamento junto ao setor empresarial. ‘‘A Fundação Araucária está prevista para entrar em funcionamento neste ano, mas até o momento não temos informação de qualquer liberação de recursos.’’
No ano passado, a Coordenadoria de Pesquisa e Pós-graduação da UEL recebeu do governo Federal R$ 302.695,00, sendo R$ 78.100,00 da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), R$ 174.212,00 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e R$ 50.382,00 do Ministério da Educação e Cultura. A fundação Ford também destinou R$ 106.452,00 e o Estado R$ 71 mil para bolsas de iniciação científica. Este ano, até agora a CPG recebeu R$ 50 mil da Fundação Ford.
Ivan Lupiano Dias afirma que mesmo com a falta de recursos a UEL tem atualmente 217 professores desenvolvendo projetos e 127 grupos de pesquisa, além de 150 docentes fazendo pós-graduação por conta própria. ‘‘É um número grande de pessoas que irá levar a instituição a um patamar de ensino elevado’’. A CPG tem catalogados 343 projetos em andamento e 1.912 pesquisas concluídas.CNPSoja da Embrapa custeia 40% das pesquisas com verba do setor empresarial; Iapar quer chegar a 20%
Mário CésarEM AÇÃOPesquisador do Iapar: aumento de parcerias com a iniciativa privada é saída para desenvolvimento do trabalho científicoPaulo WolfgangIvan Dias, da UEL: ‘‘Investimentos do setor privado não resolve’’

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