Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha
O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) aproveitou a 40ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina para apresentar ontem aos pecuaristas a raça bovina Purunã. Ela é o resultado da mistura genética entre Charolês (40%), Aberdeen Angus (25%), Caracu (25%) e Canchim (10%) e a expectativa é que seu rendimento seja de 15% a 18% superior às raças puras.
Segundo o pesquisador, o Purunã reúne as qualidades mais valorizadas de cada uma destas raças. Do Charolês ele herdou o ganho de peso; do Caracu, a resistência aos parasitas; do Canchim a tolerância ao calor e do Aberdeen Angus a fertilidade. ‘‘Queremos estimular os criadores a investirem em novas opções de rebanho. É a primeira experiência do Instituto com bovinos compostos em 20 anos de pesquisa sobre melhoramento genético’’.
O Purunã foi desenvolvido numa fazenda modelo em Ponta Grossa, região onde estão os primeiros criadores da raça. Desde seu lançamento no ano passado, este boi já foi levado à Curitiba, Pato Branco, Dois Vizinhos, Cascavel e Umuarama, mas a intenção é disseminá-lo por todo o país.
Apesar de o Iapar ser o único revendedor de reprodutores e semens, o presidente Florindo Dalberto garante que a comercialização não é o objetivo principal do Instituto. ‘‘Trabalhamos pela qualidade do rebanho, aumento de ganho do criador e satisfação do consumidor’’, comentou.
De acordo com o secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Antonio Leonel Poloni, a intenção do governo paranaense é inverter a balança comercial do Estado aumentando a exportação de carne bovina. ‘‘Somos conhecidos como bons avicultores, mas com a inclusão na área livre da aftosa pretendemos agradar também aos exigentes europeus e japoneses com relação à carne vermelha’’. Para alcançar esta meta Poloni acredita que a rastreabilidade de origem do animal é fundamental. Segundo ele, a especificação da carne dá credibilidade ao produto, principalmente no exterior, e facilita o retorno financeiro.
O presidente da Federação Paranaense das Associações de Criadores (Fepac), Ugo Rodacki, acredita que o interesse dos pecuaristas pela nova raça será grande. ‘‘Quem não acompanhar a evolução do mercado não sobrevive. É preciso estar aberto às novidades e revertê-las em benefício da atividade. Neste ponto, os paranaenses são ótimos colaboradores, contudo é muito cedo para prever o resultado da introdução do Purunã em nosso rebanho’’, finalizou.

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