Curitiba - O Paraná não ficará mais refém dos dados de desmatamento levantados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos anunciou, ontem, os primeiros resultados da utilização do Sistema de Monitoramento Ambiental com Imagens de Satélite - lançado em outubro de 2007 -, com o qual se pretende inibir o corte ilegal de florestas. O governo investiu cerca de R$ 300 mil no desenvolvimento desse novo sistema.
O secretário Rasca Rodrigues não questionou, abertamente, os dados do último relatório do SOS Mata Atlântica - feito a partir de levantamento do Inpe - sobre as áreas desmatadas no Paraná, mas se mostrou incomodado com os números. O relatório aponta que, em cinco anos, as áreas de floresta no Paraná sofreram redução de 88% - 29 mil hectares foram desmatados. Mas, segundo ele, no relatório não são desconsiderados, por exemplo, incêndios florestais (não intencionais), áreas de manejo de bracatinga e de assentamentos agrícolas.
Como resultado da fase ainda experimental de aplicação do monitoramento por satélite, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) vistoriou 36 propriedades onde foram constatados desmates. Segundo o presidente do órgão, Vitor Hugo Burko, a fiscalização gerou 18 autuações, que somaram R$ 50 mil em multas. Sema e Iap elegeram o Centro-Sul do Estado para iniciar o trabalho, pois é nessa região que se concentram os remanescentes mais significativos de florestas nativas.
Burko explicou que o programa desenvolvido pelo Laboratório de Inventário Florestal da Universidade Federal do Paraná (UFPR) trabalha com sobreposição de imagens. As primeiras imagens captadas por satélite, no segundo trimestre de 2007, são usadas como ''marco zero''. É a partir delas que os técnicos dos escritórios regionais do IAP irão comparar a situação das florestas, a cada dois meses. O programa permite identificar áreas de desmate a partir de 900 metros quadrados. Segundo ele, já foi possível identificar áreas desmatadas de 0,2 hectares a 19 mil hectares, mas não soube informar o total desmatado, desde que o sistema começou a ser testado.
A possibilidade de identificar as áreas desmatadas e punir os infratores é que faz o secretário acreditar que a nova ferramenta possa coibir, de vez, os desmates.

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