A Promotoria Especial de Defesa do Meio Ambiente convocou ontem representantes do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Autarquia do Meio Ambiente (AMA), Sanepar e Secretaria de Obras para discutir a poluição nos ribeirões Três Bocas, Cafezal e, principalmente, Cambezinho, que deságua no Lago Igapó. O objetivo da reunião foi tentar descobrir que tipo de poluição está sendo lançada na água e também identificar quem são os poluidores. ‘‘Essas pessoas estão cometendo crime contra a natureza’’, disse a promotora Maria Lúcia Ferreira Reichenbach.
Ao final da reunião ficou decidido que o IAP, auxiliado pela Sanepar e Secretaria de Obras, promoverá um trabalho de ‘‘balneabilidade’’, mapeando as galerias pluviais e analisando onde há focos de lançamento clandestino de esgoto. O chefe regional do IAP, Nelson Santos Pereira, disse que serão colocadas placas indicativas em toda a extensão do Igapó, indicando onde a poluição está acima dos níveis aceitáveis e que, portanto, compromete a utilização da água pela população. ‘‘Serão análises semanais apontando onde a água é imprópria, assim como é feito nas praias’’, diz Pereira. Segundo ele, os trabalhos começam em novembro.
A AMA vai fiscalizar e autuar os poluidores - a multa varia entre R$ 30 e R$ 1 mil, dependendo da gravidade do caso. A promotora Maria Lúcia Reichenbach disse também que convocará os poluidores para que assinem um termo de compromisso dizendo que não vão mais provocar poluição. Se não quiserem assinar, estão sujeitos a uma ação civil pública. Se assinarem e não cumprirem o compromisso, a promotoria também poderá estipular multas diárias de até R$ 5 mil. ‘‘Saúde e meio ambiente não têm preço’’, disse a promotora.
O coodenador do Conselho de Saúde do Jardim Marabá, Armando Porto Alegre, também foi à reunião solicitar providências contra o problema de poluição no Ribeirão das Pedras, que atravessa a Vila Fraternidade, Vila Ricardo, jardim Marabá e Santa Fé (todos na zona leste de Londrina). Por conta do lançamento de esgoto clandestino no ribeirão, já foram constatados, somente este ano, nove casos de esquistossomose (ou barriga d‘água) nas crianças da região, como noticiou a Folha semana passada. Ano passado foram 20 casos.
Ficou decidido que o mesmo trabalho que será realizado no Igapó será repetido, em breve, no Ribeirão das Pedras.

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