IAP recolhe equipamento de pesca ilegal
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de novembro de 1998
Luciane Tonon 
Pescadores não estão respeitando o período de piracema (subida dos peixes nos rios para desova) e chegam a recolher toneladas de peixes em locais represados por barragens de usinas. Esta foi a conclusão dos fiscais do escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná - IAP em Jacarezinho, após blitz realizada no final de semana, nas proximidades da Usina Hidrelétrica Salto Grande, em Cambará (22 km a oeste de Jacarezinho) e na represa de Chavantes em Carlópolis, Ribeirão Claro e Siqueira Campos.
Na blitz foram apreendidos 500 metros de rede de malhas inferiores a sete centímetros (tamanho considerado ilegal). Este material estava na água sem identificação dos proprietários, que fugiram ao perceber a fiscalização, informou o técnico do IAP, Marcos Antônio Pinto.
Segundo técnicos do instituto, a cada ano aumentam os casos de pesca predatória na região. Por mais que esteja sendo feito um trabalho de conscientização, as pessoas não têm respeitado os limites da natureza, afirmou o chefe regional do IAP, Tarcísio Mossatto,
Ele calcula que, se os pescadores parassem de pescar nos meses da piracema (novembro a janeiro), teriam o dobro de peixes para pescar durante o resto do ano.
Os técnicos do IAP estimam que os pescadores chegam a levar uma tonelada/dia de peixe nesta época do ano. A lei prevê um máximo cinco quilos de peixe pescado por pessoa.
A Usina de Salto Grande foi construída na década de 50 e no seu projeto, não foram previstas escadas para subida dos peixes nas barragens. Sem saída, os cardumes se acumulam na base das barragens, onde os predadores recolhem milhares de peixes com tarrafas.
O IAP anuncia que vai intensificar as blitz. Segundo Mossatto, os fiscais não vão medir esforços para multar e denunciar os predadores em processo crime. As multas chegam até R$ 5 mil dependendo a situação.


