IAP recebe mil cadastros de candidatos à adoção
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
Simoni Saris Reportagem Local 
O Instituto Ambiental do Paraná já contabilizou 1.084 cadastros de pessoas interessadas em adotar animais silvestres nativos apreendidos em fiscalizações, resgatados de situações de risco ou entregues voluntariamente por criadores não autorizados. No dia 1º de julho, o órgão ambiental editou a portaria nº 137/2016, que dispõe sobre o depósito e guarda provisória desses animais e também determina procedimentos para a manutenção dos bichos em cativeiro doméstico.
"Foi um susto o número de pessoas interessadas, mas com a triagem deve reduzir bastante. É preciso ter um recinto adequado, os animais precisam de alimentação específica e é necessário um biólogo ou veterinário responsável", explicou a chefe do Departamento de Licenciamento de Fauna do IAP, Márcia de Guadalupe Pires Tossulino. A portaria estabelece as diretrizes gerais que devem ser respeitadas para cada grupo de animal e também há uma série de documentos que devem ser apresentados pelo requerente, entre eles, as certidões negativa de débitos ambientais e de antecedentes criminais.
O IAP justificou a portaria alegando que os centros de triagem de animais silvestres (Cetas) existentes no Estado não têm mais espaço disponível para receber os animais apreendidos ou resgatados, assim como os zoológicos e os criadores licenciados.
Apesar de Márcia afirmar que todo o processo será cercado de cuidados, a preocupação com a possibilidade de a medida propiciar a regularização do tráfico de animais silvestres é grande. Segundo a relações públicas da Polícia Ambiental em Londrina, soldado Camila Reina, desde o anúncio da portaria, entre dez e 15 pessoas têm telefonado ou ido pessoalmente até a sede do órgão diariamente em busca de informações ou para manifestar o interesse em obter a documentação para adotar um animal silvestre. A maioria dessas pessoas, afirma a soldado, quer regularizar aves que estão sendo mantidas em cativeiro. "Estamos com alguma cautela a respeito de tráfico de animais."
Médico veterinário especialista em animais silvestres, Marcos Shiozawa, ressaltou que os cuidados não se limitam a uma área física e à alimentação correta. Ele lembrou que os candidatos a adoção devem ter consciência de que terão de arcar com todas as despesas com consultas médicas, exames, medicamentos, vacinas e que os animais não podem ser tratados como bichos de estimação. "Não é um pet, é um animal silvestre que muitas vezes sofreu domesticação e maus tratos."


