IAP multa Sanepar por vazamentos em Cascavel
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de outubro de 2001
Gilmar Agassi<br> De Cascavel 
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) multou ontem a Sanepar em R$ 100 mil por causa de dois vazamentos de esgoto ocorridos no dia 11 de setembro, em locais diferentes, em Cascavel. Não é a primeira vez neste ano que a Sanepar recebe multa por esse tipo de infração. Em agosto, a empresa foi punida com multa de R$ 20 mil por poluir o Rio das Antas.
O primeiro problema, no dia 11, ocorreu na região do lago municipal devido ao rompimento de uma tubulação. O IAP estima que vazaram cerca de 100 mil litros de esgoto. O desastre foi descoberto graças a denúncias de vizinhos que perceberam o mau cheiro no local. Já o segundo vazamento atingiu o Rio Quati, mas a quantidade de esgoto não foi especificada.
O chefe regional do IAP, Carlos Roberto Gonçalves, afirmou que a Sanepar precisa tomar medidas ''drásticas e enérgicas'' para evitar novos vazamentos. Ele disse que apesar dos 100 mil litros que vazaram no lago municipal, não houve grandes danos ao meio ambiente.
A assessoria de imprensa da Sanepar informou que o departamento jurídico da empresa está estudando os casos e que provavelmente deverá recorrer da multa por considerar que não houve prejuízos ao meio ambiente.
Já a Prefeitura de Cascavel começa a se movimentar para assumir os serviços de saneamento a partir de junho de 2002, quando vence o contrato em vigência com a Sanepar. A Companhia Municipal de Saneamento foi criada com o objetivo de executar, operar, administrar e explorar os serviços públicos de abastecimento de água potável, coleta e tratamento de esgoto sanitário.
Segundo o prefeito Edgar Bueno (PDT), a preocupação é grande em decorrência da privatização da Sanepar que está em curso. ''O cuidado com o bem-estar da população está acima da aferição de lucros'', disse. A partir da criação da companhia, afirmou o prefeito, estudos de viabilidade econômica, operacional e jurídica serão realizados para a eventualidade de assumir os serviços.
O procurador Aderbal Mello lembrou que até agora privatizações como a da Telepar e Banestado, por exemplo, ''não produziram melhoria nos serviços e só acarretaram aumento das tarifas''. Ele disse que o município está se preparando para, havendo necessidade, municipalizar o sistema.


