IAP multa Sanepar por poluir Rio Iguaçu
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quinta-feira, 15 de maio de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) foi multada, ontem, em R$ 200 mil, pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), por poluir o Rio Iguaçu com o lançamento de efluentes de uma estação de tratamento de esgoto da Cidade Industrial de Curitiba (CIC) fora dos padrões permitidos pela legislação ambiental. A Companhia de Celulose e Papel do Paraná (Cocelpa) também foi multada em R$ 40 mil por despejo de resíduos industriais no mesmo manancial.
O secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Luiz Eduardo Cheida, classificou a medida como ''inusitada'', já que seria a primeira vez que o Estado multa um órgão do próprio Estado na Região Metropolitana de Curitiba. ''Para ter voz ativa com a iniciativa privada, primeiro é preciso dar o exemplo. A Sanepar será autuada assim como qualquer órgão do Governo que descumprir as normas ambientais'', destacou.
O IAP identificou os lançamentos irregulares durante monitoramento que buscava a origem da ''mancha verde'' que apareceu no Rio Iguaçu, no último dia 18 de abril. As análises, no entanto, não comprovam que os resíduos da Sanepar e Cocelpa tenham relação com a mancha. Segundo informações do IAP, o principal produto encontrado nas análises da Cocelpa são alvejadores de papel, especialmente cloro.
Esta semana, o IAP já havia multado a Prefeitura de Curitiba, em R$ 15 milhões, por causa do lançamento de chorume do Aterro da Caximba no Rio Iguaçu e pela contaminação do lençol freático na área onde é depositado o lixo hospitalar.
O secretário afirmou que o valor da multa contra a Sanepar é o máximo que se pode aplicar para um crime ambiental considerado grave, conforme prevê a legislação. O nível de carga orgânica presente nos efluentes da estação de tratamento de esgoto, segundo o IAP, estavam 93% acima do permitido. Já a contaminação do lençol freático pelos resíduos do tratamento do lixo hospitalar, segundo o IAP, apresentaram contaminação 1.000% superior ao permitido, uma das razões da infração ser considerada gravíssima.
Em nota oficial, a Sanepar informou que pode ter ocorrido uma falha técnica ou humana na coleta da amostra analisada pelo IAP. A assessoria de imprensa da Cocelpa não retornou os telefonemas da Folha.


