O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) multou um posto de combustíveis de Londrina por vazamento de gasolina e diesel. O revendedor Star Petro, localizado na Avenida Tiradentes (Zona Oeste), foi autuado em R$ 25 mil. A distribuidora Texaco, proprietária do imóvel, recebeu multa de R$ 1,5 milhão.
O chefe regional do IAP, Ney Paulo, esclareceu que o acidente ecológico aconteceu no final de março. Até hoje, entretanto, o passivo ambiental da área não foi recuperado. Derivados de petróleo formaram benzeno, que percorreu o subsolo e atingiu o poço artesiano da churrascaria Vento Sul, localizada do outro lado da avenida. ''Amostras recolhidas no poço indicam que a quantidade de benzeno presente na água supera em 35 vezes o limite permitido pela portaria 518, do Ministério da Saúde. A água deixou de ser potável'', disse.
Além da contaminação do lençol, Paulo teme pelo solo da região. ''Se a terra estiver apodrecida, terá que ser retirada e incinerada'', explicou. O IAP não soube precisar a quantidade de combustível jogada no subsolo após o vazamento do tanque. Como o produto atingiu o poço localizado a vários metros do local, é possível que o produto tenha vazado por um longo período.
Texaco e o posto Star Petro têm 20 dias para recorrer da multa. O proprietário da revenda, Maxwell Pavesi, está preso na Casa de Custódia de Londrina desde terça-feira - com outros cinco empresários do setor - por suspeita de sonegação fiscal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos.
A assessoria de imprensa da Texaco, no Rio de Janeiro, informou que o departamento jurídico da empresa recebeu a notificação, está analisando o documento e, a princípio, deve recorrer da decisão.
Os gerentes da churrascaria Vento Sul, Paulo Ricardo Boni e Luiz Mar Vivian, afirmaram que o vazamento no posto vizinho traz prejuízos ao estabelecimento. Impedidos de utilizar a água do poço, que inclusive exala mau cheiro, eles estão recorrendo ao produto fornecido pela Sanepar, o que acrescenta uma despesa de R$ 1,2 mil mensais à empresa.
Além disso, já gastaram mais de R$ 30 mil em laudos para comprovar que o poço foi contaminado. ''A Texaco nos atendeu e tem feito pesquisas para ter certeza que a contaminação do poço decorre do vazamento. Estamos aguardando uma resposta'', disse Paulo, adiantando que há uma reunião agendada para o dia 5 de novembro.
Ney Paulo, do IAP, revelou que apenas 30% dos postos de combustíveis de Londrina possuem licenciamento ambiental que obedece à atual legislação do setor. A lei prevê que os estabelecimentos tenham tanques ecológicos com proteção contra vazamentos. ''É um tanque dentro do outro'', explicou. A não adequação às normas pode resultar em multa de R$ 2 mil.

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