Ponta Grossa
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP), escritório regional de Ponta Grossa, está denunciando o desmatamento ilegal em áreas de assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na região dos Campos Gerais. O IAP descobriu, inclusive, uma rota utilizada para o transporte e a comercialização irregular da madeira extraída dos assentamentos.
Na última semana o IAP emitiu ao Incra dois autos de infração e multas por danos ambientais causados em dois assentamentos na região de Ponta Grossa. As autuações foram lavradas nas áreas denominadas de Sinhá Ana de São Judas Tadeu, no município de Reserva, e no assentamento Três Lagoas, em Castro.
No caso da área em Reserva, o Incra foi multado em 7.335,82 Ufirs (R$ 6.681,46) por queima criminosa de floresta e demais formas de vegetação em uma área de aproximadamente 10 hectares. Nesse assentamento o IAP verificou que também foram cortados pinheiros Araucária. Os fiscais do instituto que estiveram no local constataram que os pinheiros estavam sendo vendidos irregularmente a madeireiras da região. Nessa área foram apreendidos 15 metros cúbicos de toras já prontas para a comercialização, ficando o Incra responsável pela madeira até uma decisão judicial sobre o destino do material. Em Castro, no assentamento Três Lagoas, a multa aplicada foi de 550,19 Ufirs (R$ 501,11), por corte também de pinheiro Araucária, em área de meio hectare.
Segundo Dinart Bittencourt, chefe regional do IAP em Ponta Grossa, a rota utilizada para o transporte e comercialização ilegal dessa madeira é a antiga Estrada do Cerne, sem pavimentação, que dá acesso às regiões de Campo Largo e Curitiba. De acordo com Dinart, o IAP vem tentando inibir a ação desses ‘‘criminosos ambientais’’ com a realização de barreiras de fiscalização. ‘‘Os receptadores da madeira clandestina também estão na mira dos fiscais’’, ressaltou o chefe do IAP.
Dinart revelou que há denúncias de que a comercialização de madeira clandestina retirada de assentamentos vem ocorrendo sob a conivência do Incra. A determinação da superintendência da Secretaria Estadual do Meio Ambiente em Ponta Grossa é para que o IAP realize um levantamento geral dos assentamentos mantidos pelo Incra na região e verifique a veracidade das denúncias.
A Folha entrou em contato com a superintendência regional do Incra no Paraná, em Curitiba, mas até o fechamento desta edição o órgão não havia se pronunciado a respeito das denúncias e acusações.

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