O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) autuou, nos últimos quatro dias, 20 indústrias moveleiras de Arapongas (35 km a oeste de Londrina). As multas somavam, até o início da tarde de ontem, R$ 219 mil, e foram aplicadas pela falta de licenciamento ambiental e depósito irregular de resíduos.
De acordo com fiscais do IAP, escritório regional de Londrina, o lixo gerado pelas indústrias estava sendo depositado numa área rural próxima ao bairro onde se concentram as fábricas. Além do lixo, a poluição ambiental resultante da queima do material estava causando transtornos para os moradores da região.
Acompanhando a evolução do problema há anos, o engenheiro químico Nelson Pereira Santos, que chefiou a equipe do IAP nesta operação, avalia que somente com um projeto conjunto de reciclagem a situação seria controlada definitivamente.
‘‘Por se tratar de restos de madeira, espumas e plásticos, os resíduos, em sua grande maioria, podem ser totalmente reaproveitados’’, avalia o engenheiro. Ele garante que esta é a alternativa mais correta para as empresas.
Segundo Santos, além de dispor de mais de 200 fábricas de móveis, o parque industrial de Arapongas também conta com uma indústria de reaproveitamento de sobras vegetais para fins energéticos. ‘‘A maioria das empresas do parque destinam seus resíduos para a reciclagem, e isso pode ser feito por todas’’, sugere Santos, que pretende manter reuniões com os empresários, nos próximos dias, para discutir o tema.
O secretário executivo do Sindicato das Indústrias Moveleiras de Arapongas (Sima), José Roberto Pontalti, disse à Folha que a diretoria da entidade tem uma reunião agendada para segunda-feira, em Curitiba, com o presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), José Antônio Andrigueto. ‘‘Vamos discutir o problema das indústrias moveleiras e apresentar oficialmente nosso projeto de reclagem’’, revelou Pontalti.
O Sima já tem autorização dos associados para desenvolver, de imediato, um projeto para reciclagem de resíduos industriais. ‘‘O primeiro passo será iniciar a construção de um pavilhão e aquisição de equipamentos para a seleção de todo o tipo de material que pode ser reaproveitado.’’
O dirigente do Sima informou que, na quinta-feira, uma comitiva da entidade irá a Bento Gonçalves (RS) para conhecer um projeto semelhante. Segundo José Roberto Pontalti, 98% do lixo industrial moveleiro pode ser reciclado e reaproveitado em outros setores.

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