IAP isola propriedade que tem BHC
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quinta-feira, 31 de julho de 1997
Maurício Borges Apucarana 
Odair StraliottiAo Deus daráTécnicos constataram que produto foi abandonado; solução para produtos tóxicos esquecidos em todo o Estado seria incineraçãoTécnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) vistoriaram ontem a Chácara Gamero, perto do Contorno Sul de Apucarana, determinando o imediato isolamento da área, onde foi encontrada uma carga abandonada de 700 quilos de BHC. O engenheiro químico Alberto Bacarin e o químico Roberto Gonçalves constataram que o veneno, proibido no País e depositado em condições impróprias, expõe crianças e adolescentes que circulam na chácara ao risco de contaminação.
A nova proprietária da chácara, Mônica Zacaria de Resende, providenciou ontem a contratação de uma empresa especializada em segurança, para evitar a presença de pessoas na propriedade, que estava abandonada. Os seguranças vão permanecer dia e noite aqui, até que seja feita a remoção deste material tóxico, anunciou a empresária. Ela alegou que não tinha conhecimento da existência do BHC e da presença das crianças.
Por recomendação dos técnicos, a dona da propriedade também determinou o lacre de portas e janelas do barracão onde está depositado cerca de 700 quilos de BHC.
Bacarin e Gonçalves confirmaram a existência de sacos de BHC estourados. Parte do produto, como mostrou a Folha ontem, estava espalhado em volta e até no teto do barracão. Provavelmente, o agrotóxico atingiu também uma mina dágua e uma piscina, que estão muito próximos do barracão.
Segundo Bacarin, infelizmente este não é um caso isolado no Paraná. Situações como essa, com BHC depositado em condições inadequadas, são comuns em muitos municípios do Estado, revelou.
Ele diz que somente com a implantação do Programa Paraná Sam, cujos recursos aguardam liberação pelo Senado Federal, o Estado poderá dar uma solução definitiva para o acúmulo de lixo tóxico. O programa prevê a compra de um incinerador, com o qual poderíamos eliminar BHC e outras formas de lixo tóxico, que encontramos com frequência, informou Bacarin.
Os técnicos do IAP coletaram amostras do solo, da água de uma mina e da piscina da chácara. Análises vão dizer se o solo e a água estão contaminadas pelo produto.
Bacarin orientou a proprietária da chácara sobre como remover o BHC e depositá-lo em condições e local adequados. A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) vai dar apoio à remoção.


