IAP investiga origem de espuma no Lago Norte
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sábado, 31 de janeiro de 2015
Celso Felizardo<br> Reportagem Local 
Londrina O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) recolheu amostras da água do Lago Norte, em Londrina, na manhã de ontem, para investigar a origem do grande volume de espuma branca que se acumulou no local e chegou a encobrir algumas árvores do entorno. De acordo com moradores, a espuma começou a se formar por volta das 15h30 de quinta-feira, despejada por meio de uma galeria pluvial.
O engenheiro químico do IAP, Nelson Santos Pereira, informou que o material coletado será encaminhado para laboratórios de Curitiba para análises mais aprofundadas, mas que nos exames rápidos já foi possível identificar a falta de oxigênio na água do lago. "A primeira ação dos materiais despejados é sequestrar o oxigênio da água. Isso causa poluição, que resulta em mortandade de peixes", explicou.
Além dos técnicos do IAP, fiscais da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) e funcionários da Sanepar percorreram a área próxima do lago para tentar identificar o emissor dos poluentes. Pereira adiantou que a tarefa não é fácil. "Temos uma bacia muito grande, que se estende daqui até a (Avenida) Saul Elkind. Como não temos mecanismos para monitorar por dentro das tubulações, a procura tem que ser visual, pela superfície", explicou. Segundo o engenheiro do IAP, o valor da multa para o crime ambiental varia entre R$ 500 e R$ 5 milhões.
O IAP informou ainda que só os laudos, que devem ser divulgados em um prazo de 15 a 20 dias, poderão precisar qual tipo de poluente originou a espuma, mas os técnicos acreditam se tratar de um grande lançamento de detergente. "A espuma teria se formado com a chuva e a movimentação natural do composto, diminuindo a oxigenação da água", informou o órgão por meio de nota oficial. Pereira relatou também outras dificuldades para fazer a fiscalização. "É difícil encontrar o responsável porque as emissões não são constantes. Os poluentes são despejados de uma vez e em grande quantidade."
Na quinta-feira, a espuma tomou boa parte do lago e também se espalhou por córregos da região. Ontem, o volume era menor, mas o suficiente para ser levado pelo vento para o meio da Rodovia Carlos João Strass. Além do perigo da espuma cobrir os carros, a imagem do lago coberto despertou a curiosidade dos motoristas, o que quase causou acidentes. Muitos moradores dos bairros vizinhos e até de outras regiões foram até o lago para conferir a cena inusitada.
A cabeleireira Sônia Regina Constâncio contou que flagrou o surgimento da espuma desde as primeiras horas. "Foi aumentando tanto, não imaginava que chegaria a essas proporções. É uma cena até bonita de se ver, mas é triste se pensarmos nos danos à natureza", lamentou. Já a preocupação do motorista Pedro Rodrigo da Costa era com o trânsito. "Está um perigo isso aqui. É pedestre atravessando a todo momento, carro que para na pista. Tomara que resolvam logo, porque isso não vai terminar bem", alertou. A expectativa do IAP era que a espuma se dissipasse com as chuvas.
SERVIÇO:
O IAP recebe denúncias de poluição ambiental pelo telefone do Escritório Regional de Londrina: (43) 3373-8700.


