Sertanópolis - A Secretaria de Meio Ambiente de Sertanópolis (Norte) e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) investiga o despejo irregular de defensivos agrícolas no lago principal do município. A ação, descoberta ontem, provocou a morte de cerca de 300 peixes. Segundo a secretaria, a substância tóxica teria atingido cerca de 3 mil metros quadrados do lago, que ocupa uma área de 30 mil metros quadrados.
Um agricultor, que ligou para a FOLHA, foi um dos primeiros presenciar a contaminação. ''Eu estava passando pelo local, como faço todos os dias e vi aquela grande quantidade de líquido branco sobre a água, vários peixes mortos e logo contactamos o IAP'', contou o agricultor, que pediu para não ser identificado.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Paulo Fernando Rigo, a substância teria sido despejada em uma boca-de-lobo, escoada pelas tubulações e, em seguida, alcançado as galeriais pluviais do lago. ''Nossa primeira ação foi estancar o produto, juntamente com o apoio do IAP, e realizar a sucção da substância, que atingiu cerca de 10% do lago'', afirmou Rigo. ''Apesar da ação, só pela manhã nós já constatamos a morte de cerca de 300 peixes, entre eles, lambari e tilápia'', acrescentou. ''Se não tívessemos agido com rapidez hoje ou se tivesse chovido durante a noite, o material teria se espalhado por todo o lago'', salientou.
Segundo o secretário, o IAP fez o recolhimento das amostras do produto e está agora investigando as causas da contaminação. ''Nós ainda não temos nenhuma suspeita.''
O fiscal do IAP, José Carlos dos Santos, que realizou o recolhimento de parte da substância tóxica, disse que as amostras já foram encaminhadas ao laboratório para análise. Após a identificação do responsável, será aberto um processo criminal contra o responsável e este deverá ressarcir o dano ambiental, com pagamento de multa, repovoamento do lago e interdição do estabelecimento.
Segundo o fiscal, a multa aplicada a uma empresa para um crime ambiental grave, como este ocorrido no lago de Sertanópolis, em que há despejo agroquímico, pode variar entre R$ 50 e R$ 100 mil. Segundo Rigo, não é a primeira vez que ocorre o despejo irregular de substâncias tóxicas no lago e a consequente morte de peixes. ''Em 2010, o despejo irregular de solda cáustica e óxido de zinco, provocou a morte de mais de 12 toneladas de peixes'', contou.
O lago é um dos cartões postais de Sertanópolis. Segundo o secretário, centenas de famílias utilizam a área de lazer aos finais de semana. ''Começaremos uma campanha com a colocação de placas explicando quais os cuidados que devem ter com o lago para evitar ações com essa.''

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