O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) está investigando as causas da alteração da cor do Rio Tibagi, que passou a apresentar uma tonalidade mais escura. O problema foi detectado ontem, pela manhã, por pescadores da região de Jataizinho (21 km a leste de Londrina). Assim que lançaram as redes, eles notaram a cor escura e um cheiro forte na água. A correnteza trouxe, em seguida, outra evidência de poluição: peixes mortos de várias espécies.
‘‘Eu nasci na beira do rio e nunca vi o Tibagi desta cor tão feia e escura’’, comentou o pescador e vereador de Jataizinho pelo PPB, Laércio Quitério, 34 anos. Nesta época, costuma-se pegar cerca de 30 quilos de peixe por dia, entre cascudo, piapara, dourado, pintado e outras espécies. Mas ontem Laércio não pegou nenhum.
A situação do Tibagi também surpreendeu o aposentado João Gosh, 69 anos, que duas vezes por semana sai de Londrina para passar o dia na beira do rio, em Jataizinho. ‘‘Não peguei peixe nem para a mistura’’, brincou. ‘‘A água está com cor de fossa’’, comparou Gosh.
O IAP foi informado do problema pelo responsável pelo setor de Agropecuária e Meio Ambiente da prefeitura de Jataizinho, José Quitério. ‘‘Ontem a água estava normal, só um pouco barrenta. Hoje a cor está muito esquisita, parece água de mangue’’, comentou Quitério, que recolheu uma amostra em uma garrafa plástica e a comparou com a água de uma mina. Na opinião dele, a alteração só poderia ser causada por problemas em uma grande indústria.
Técnicos do IAP de Londrina estiveram ontem, durante o dia todo, em Jataizinho, percorrendo de barco o Rio Tibagi. Uma amostra da água foi coletada e encaminhada para análise em laboratório. O resultado só deve sair na segunda ou terça-feira. O chefe do Setor de Fiscalização e Licenciamento Ambiental do IAP, Elliton Bembem, disse que inicialmente o instituto pesquisou, pelo computador, e constatou que não havia, na região de Jataizinho, empresas que pudessem ter provocado a poluição.
Mas depois de fazer contato com a Polícia Florestal, o IAP concluiu que a mancha se originou no Rio Iapó, em Castro (41 km ao norte de Ponta Grossa). ‘‘Nós já acionamos nosso pessoal, em Ponta Grossa, para fazer um pente-fino e descobrir o que provocou o problema’’, disse. Segundo ele, os técnicos trabalharão durante todo o final de semana para tentar identificar a causa da mancha que chegou até Jataizinho.
Segundo ele, a poluição pode ter sido causada pelo rompimento de uma barragem construída no Rio Iapó sem a licença do IAP ou de uma lagoa de contenção de efluentes industriais. Elliton Bembem adiantou que a Sanepar foi avisada do problema – já que o rio abastece várias cidades – e que após análise, a empresa de saneamento constatou que a poluição não afetou a qualidade da água para consumo.

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