IAP investiga despejo irregular em sítio
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sexta-feira, 06 de fevereiro de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Tamarana O secretário municipal de Máquinas e Obras de Tamarana (62 km ao sul de Londrina), Yoshio Goto, deve se reunir hoje à tarde, com representantes do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). A reunião vai tratar sobre a denúncia de que funcionários de uma empresa terceirizada, contratada pelo Município, teriam jogado uma grande quantidade de dejetos num sítio no Assentamento Água da Prata, na zona rural.
Segundo Ney Paulo, chefe regional do IAP, a empresa será autuada por disposição inadequada de resíduos e, caso não apresente documentação, falta de licenciamento. ''A prefeitura também será autuada caso seja verificada sua responsabilidade'', informou. A multa mínima para a empresa, cujos representantes também foram convocados para comparecer hoje ao IAP, seria de R$ 2 mil.
O despejo irregular teria ocorrido anteontem. Segundo a denúncia que chegou ao IAP, a secretaria de Máquinas e Obras teria contratado a empresa para desentupir a fossa de uma escola municipal localizada no assentamento. O serviço teria sido realizado por volta do meio-dia com um caminhão e os dejetos, jogados dentro de uma propriedade particular às margens da estrada rural.
Após denúncias dos moradores, um fiscal do IAP esteve na tarde do mesmo dia em Tamarana. A chefia do órgão determinou o recolhimento dos dejetos, o que foi feito pela prefeitura ainda na noite de anteontem. O local fica numa área de declive, a cerca de 150 metros de uma mina, que abastece seis famílias do Assentamento.
''Usamos esta água pra tudo: lavar roupa, beber, cozinhar. Se ficar contaminada, como vamos fazer?'', questionou Davi Ferreira de Moraes, 50 anos, prorietário de um pequeno sítio na região. Ontem pela madrugada, após a equipe da prefeitura ter recolhido os dejetos, choveu em Tamarana. Segundo Ney Paulo, uma chuva poderia ter feito com que a sujeira chegasse até a mina.
O secretário Yoshio Goto afirmou que permaneceu na escola enquanto os funcionários da empresa realizavam a limpeza da fossa, e que não perguntou para onde seriam levados os dejetos. ''Achei que eles teriam um destino certo. Só fiquei sabendo da verdade depois'', disse ele. Goto acredita que a prefeitura não será autuada pelo IAP. ''A responsabilidade é da empresa''.
O secretário não soube informar qual foi a empresa contratada, sob a justificativa de que passou o dia inteiro em Londrina e que não se lembrava de ''cabeça'' do nome. ''Lembro apenas que é de Cambé e que é a primeira vez que ela presta um serviço para a prefeitura de Tamarana'', disse o secretário.
Uma testemunha relatou que dejetos também teriam sido despejados numa segunda propriedade, a cerca de 500 metros do primeiro sítio. A Folha esteve no local e verificou que havia sinais de sujeira. Goto disse que recebeu informações de que teria havido o segundo despejo, mas que não foi até a propriedade. Ney Paulo afirmou que sabia apenas do primeiro incidente. ''Se houve um segundo despejo, as multas serão dobradas'', garantiu.


