IAP investiga desmate ilegal no litoral
Michele Muller
De Curitiba
Na próxima semana o presidente da Liga Ambiental de Curitiba, José Álvaro Carneiro, estará encaminhando ao Ministério Público uma denúncia de desmatamento nos fundos da Baía de Guaratuba. De acordo com Álvaro, foram derrubados cerca de 20 hectares (20 mil metros quadrados) de Mata Atlântica primária, entre os rios Cubatão e Cubatãozinho. O local é considerado Área de Preservação Ambiental (APA), e sua devastação, segundo José Álvaro, é crime ambiental.
O desmatamento pode ser visto por quem atravessa a estrada de 15 quilômetros, construída há seis meses pela Prefeitura de Guaratuba. É possível que o autor do corte da vegetação tenha interesse em fazer plantações no local. É um lugar que precisa ser objeto de cuidados especiais, pois tem muito a oferecer para a ciência. Não é um local para ser destruído por algum babaca que queira plantar bananeiras, alerta o ambientalista.
A área dos fundos da Baía de Guaratuba, segundo ele, é uma das mais ricas do Estado em diversidade biológica. Biólogos se deslocam para lá com a intenção de estudar animais em extinção. Lá são encontrados desde onças, até tucanos e outros pássaros raros, como bicudinho-do-brejo-, bonitinho-do-pirí e maria-catarinense, explica José Álvaro.
Ele diz ainda que os 15 quilômetros da estrada que passa por ali foram construídos ilegalmente. Foi tudo feito na marra para facilitar o acesso de agricultores, já que antes aquele trecho era praticamente intransitável, denuncia.
O secretário municipal de Obras Públicas de Guaratuba, Acir Braga, defende-se dizendo que a estrada já existia há muito tempo e chamava-se Caminho da Linha. Ele afirma que, há seis meses, a Prefeitura apenas fez algumas melhorias no local, como o alargamento da trilha e o manilhamento de córregos e tudo com a autorização do Instituto Brasileiro de Maio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Quanto ao desmatamento, Alcir diz que concorda que deve ter sido feito por produtores de banana. Mas eles são autorizados a desmatar por órgãos ambientais, pois a região é a maior produtora de bananas no Estado .
A reportagem da Folha entrou em contato com o Ibama e com o Intituto Ambiental do Paraná (IAP) para verificar se foi dada a linceça para o corte de vegetação. Representantes de ambos os órgãos negaram ter concedido a autorização para desmatamento e reforma da estrada. Só autorizamos o corte de vegetação em uma área de preservação permanente quando se trata de alguma obra decretada pelo poder municipal como utidade pública, conta o representante do Ibama em Curitiba, Luiz Antônio
O chefe do escritório regional do IAP no litoral, Hamilton Bonatto, disse que mandou, ontem, uma equipe à Baía de Guaratuba para ver se descobre o autor do desmatamento. A equipe não obteve nenhuma informação, e retornará à região neste final de semana. Faremos uma operação conjunta com o Batalhão da Polícia Militar para ver se pegamos a pessoa em flagrante, ou se pelo menos descobrimos o nome, para que possamos emitir a infração, diz. A reforma da trilha ainda será estudada pelo IAP e pelo Ibama.





