O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) interditou a área usada pela prefeitura de Castro (75 km ao norte de Ponta Grossa) como depósito de lixo e vai exigir a retirada dos detritos e a recuperação do local. A decisão foi tomada após a denúncia de pecuaristas, que apontaram a existência do lixão irregular usado pela prefeitura. Cerca de 20 toneladas de lixo estavam sendo jogadas diariamente em uma voçoroca que abriga nascentes que deságuam no Rio Pitangui, um dos principais formadores da represa dos Alagados, que abastece os Carambeí e Ponta Grossa. A prefeitura de Castro e a empresa Transportec, que faz a coleta de lixo na cidade, devem ser multadas pelo IAP.

Além da preocupação com o abastecimento, os pecuaristas temem pela sua própria atividade. ''Nossos animais bebem essa água e podem ficar contaminados'', reclamou Diosmar Francisco de Almeida, 54 anos. Ele cria gado leiteiro, como a maioria dos produtores da região, e diz que as sacolas plásticas contendo lixo já chegaram a se espalhar pelas propriedades vizinhas, levadas pela água e pelos ventos. ''Se um animal come uma sacola dessas é morte na certa'', afirmou.

A diretora do Departamento de Meio Ambiente de Castro, Maria Inês Pedrosa Machado, argumentou que o município já havia pedido a liberação da área e apresentado um projeto provisório de uso. ''Mas estávamos vivendo uma situação emergencial e não havia como esperar a resposta do IAP'', defendeu-se. Ela disse ainda que quando a prefeitura estudou o local não havia nascentes, porque o período era de seca. As nascentes da região são intermitentes, surgem em períodos de chuva.

Maria Inês Machado informou que os técnicos do IAP já haviam visitado a área e aprovado o uso como aterro. Mas o chefe regional do instituto, Luis Eduardo Araújo, lembrou que esse primeiro contato não significou a liberação do local. Ele acredita que a área ainda possa ser usada para destinação final do lixo, desde que acompanhada de projetos que contemplem a preservação dos mananciais. ''A contaminação da água da represa dos Alagados é muito difícil. Até poderia acontecer, mas a longo prazo'', considerou.

Ontem a prefeitura começou a fazer a retira do lixo do local. Segundo a diretora do Departamento de Meio Ambiente, não será possível remover todo o material depositado e o lixo que sobrar será enterrado. Enquanto a prefeitura não encontrar uma solução para o problema, o lixo de Castro será depositado no aterro sanitário de Carambeí.

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