CAMBARÁ - A intensificação da pesca predatória na represa de Xavantes e nas barragens da Usina Salto Grande em Cambará (70 quilômetros a leste de Cornélio Procópio) nesta época do ano, tem prejudicado a piracema (desova dos peixes). O alerta foi feito pelo Instituto Ambiental do Paraná, que calculou uma média de retirada de duas toneladas de peixe por semana.
O técnico do IAP de Jacarezinho, João da Rocha Loures, informou que nessa época do ano os peixes sobem o rio buscando o local ideal para desova. Ao encontrar as barreiras naturais, eles transpõem com normalidade, ‘‘mas ao chegar na barragem da usina, encontram um obstáculo intransponível, onde ficam indefesos ao ataque de seu maior predador, o homem’’, explicou o técnico.
Segundo ele, o local é de fácil acesso para os pescadores amadores. As entradas do lado paulista, próximo a Salto Grande (SP) são asfaltadas, ‘‘além do mais dispõem de uma ponte sobre o rio Paranapanema, aproximadamente 300 metros abaixo da barragem, local confortável para a pesca’’, comentou.
Já os mais ousados escalam a barragem com cordas para ter maior ascesso aos peixes. Ali estão espécies como pintado, dourado, barbado, surubim, curimba, mandi entre outras.
Os peixes são capturados com tarrafas e chasco (pedaço de madeira com ferro em forma de gancho na ponta). Esta arma fere os peixes, mas nem sempre os captura, levando-os à morte. Na piracema, cada 40 pescadores retira uma média de 800 quilos de peixe por dia.
Em blitz realizada nas duas últimas semanas nos rios Paranapanema, das Cinzas e Jacaré, o IAP vistoriou 400 veículos, 55 barcos e 32 acampamentos, apreendendo 6,2 mil metros de rede; 600 metros de espinhéis; 90 anzóis de galho; duas espingardas; nove estilingues; quatro alçapões e oito gaiolas. A blitz teve o auxílio da Polícia Militar de Jacarezinho e da Polícia Florestal de Ourinhos (SP).
Para diminuir a pesca predatória, o IAP aponta como solução a criação de um Pelotão da Polícia Florestal em Jacarezinho.

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