O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) aguarda readequações na estrutura da unidade de beneficiamento de grãos da Seara em Rolândia (25 km a oeste de Londrina) para conceder à empresa licença ambiental e liberar sua operação.

A beneficiadora de grãos foi fechada anteontem, após denúncias de moradores do Jardim Rosângela, região norte da cidade, à promotoria do meio ambiente. De acordo com eles, desde que começou a beneficiar o milho safrinha há cerca de 40 dias, a poluição atmosférica se alastrou pelo bairro. Os telhados das casas ficavam cobertos do rejeito do milho beneficiado e as donas de casa reclamavam de constante sujeira nos quintais e nas roupas estendidas no varal. O problema mais grave seriam as complicações respiratórias que algumas crianças passaram a sentir com a poeira.

O promotor local do Meio Ambiente, Hideraldo José Real, comunicou o fato ao IAP, que fez uma vistoria técnica no local. ''Foi constatada uma grande poluição e não havia outra medida senão interditar a fábrica'', disse Andrew Pinheiro Neto, chefe do escritório regional do órgão.

Na terça-feira, a empresa foi autuada em R$ 5 mil por operar sem respeitar nenhuma das três fases de licenciamento (prévia, instalação e operação), além de uma outra multa de R$ 35 mil relativo a sete dias de poluição atmosférica e sonora desde a denúncia do Ministério Público.

De acordo com Vera Crespim, secretária municipal de Meio Ambiente e Turismo, os moradores não procuraram a prefeitura, que desconhecia o problema. Nos últimos dias, para reduzir a poeira, a prefeitura usou um caminhão-pipa para molhar o pátio da unidade.


As instalações usadas pela Seara têm cerca de 30 anos e já abrigou fábricas de óleo. A Folha tentou contato com a direção da empresa, cuja sede fica em Sertanópolis, mas os sócios proprietários não estavam.

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