Dimitri do Valle
De Curitiba
Um monitoramento aéreo de rotina feito na tarde de quinta-feira por fiscais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) na Serra do Mar terminou com a descoberta de um desmatamento de 100 hectares de Mata Atlântica, em Antonina, no litoral paranaense. Ontem pela manhã, policiais florestais e os fiscais foram até o local para embargar a área, que está localizada às margens do quilômetro 26 da BR-116. Foi o maior flagrante de crime ambiental registrado pelo IAP em três anos. O desmatamento estava dentro da Área de Especial Interesse Turístico do Marumbi.
O material era vendido para madeireiras da Região Metropolitana de Curitiba e Santa Catarina. A reserva ambiental já havia sido sofrido agressões em setembro do ano passado. Na época, o vereador de Campina Grande do Sul, Elto Luiz Dal Ponte, foi autuado por crime ambiental. Ele mantém uma chácara na área. Os fiscais e policiais levantaram que o vereador vendeu parte das terras embargadas para João Eni Pinto e Aroldo Mendes de Assunção. Apesar disso, a entrada e saída da madeira nativa que era cortada nestas áreas era feita pela chácara de Ponte. Toras de madeira foram encontradas dentro de sua chácara.
Cinco pessoas que trabalhavam no corte de madeira e extração de palmito conseguiram escapar para o mato quando os policiais e fiscais chegaram. Outras quatro pessoas foram detidas. Marcionei Valente Jacinto, 30 anos, e Moisés Santos, 32 anos, alegaram que não tinham vinculações com os donos da área. Moisés disse que era dono de uma pequena chácara usada para criar galinhas e no plantio de milho e feijão. O carpinteiro Antônio Leocádio Coimbra, 46 anos, e o pedreiro Juarez Ferreira, 33 anos, disseram estar construindo um banheiro para os donos da chácara. Os quatro foram levados para a Delegacia do Meio-Ambiente, em Curitiba, para prestar depoimento.
Os policiais apreenderam dois tratores usados para puxar os troncos de madeira, duas moto serras, uma espingarda de caça, cerca de 500 cabeças de palmito, quatro burros e três cavalos. Os animais também serviam como meio de transporte das toras até os caminhões. O fiscal do IAP, Joel Joaquim Gomes de Witte, disse que árvores com idade centenária eram extraídas da reserva de proteção permanente. Entre as espécimes identificadas estavam a canela, cedro, ipê e a peroba.Foi o maior flagrante de crime ambiental no Paraná nos últimos três anos. Área é de Interesse Turístico do Marumbi
Kraw PenasFlagranteAs árvores derrubadas na Mata Atlântica eram vendidas para madeireiras da Região Metropolitana de Curitiba e para outras de Santa CatarinaAlém do corte de árvores também havia o corte ilegal de palmito. A polícia predeu quatro pessoas e outras cinco fugiramO serrador Miguel Alves Ferreira, 60, com o filho Sebastião Franco, trabalhava em troca da comida: ‘‘sempre fui feito de bôbo’’

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