O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) incinerou, ontem pela manhã, grande parte das armadilhas de pesca predatória apreendidas pelo órgão desde fevereiro deste ano, na região de Londrina. O local reservado para a destruição do material foi uma empresa de reciclagem de metais, de Tamarana (62 km ao Sul de Londrina). A firma foi escolhida por estar dentro dos padrões ambientais, contando com filtros dentro dos fornos de incineração, onde a temperatura ultrapassa 1,2 mil graus.
Pelas contas do chefe do escritório regional do IAP, Ney Paulo, foram destruídos cerca de 25 mil metros de redes, 15 mil espinhéis e mais de 30 tarrafas e covos. Só foram excluídos da incineração os materiais cujos donos foram autuados em flagrante e ainda estão respondendo a processo. As apreensões resultaram de operações semanais de fiscalização, em rios como Tibagi, Paranapanema, Bonito, Congonhas e Vermelho. Segundo o chefe do IAP, a maioria dos pescadores que estavam utilizando as armadilhas não sobrevive da pesca. ''São amadores usando aparelhos predatórios. Os profissionais não fazem isso porque sabem que acabariam com o próprio ganha-pão'', explicou.
Entre os materiais apreendidos havia instrumentos ilegais, como redes de pesca com malha inferior a 7, numeração mínima permitida. A classificação se baseia no tamanho dos orifícios da rede quanto menores, mais peixes ficam retidos, muitos bem antes de terem se reproduzido. ''Uma rede dessas pega até alevinos (filhotes de peixes)'', apontou o fiscal do IAP, Valter Piola, mostrando uma rede de malha 2.
O IAP também constatou que os pescadores não estavam respeitando os procedimentos legais de pesca. Pelas regras ambientais, as redes não podem cobrir mais de um terço do tamanho do rio, e só podem ser armadas com distância mínima de 100 metros entre uma e outra. ''Essas pessoas têm conhecimento das regras, o que falta é cultura ambiental. Por isso é que a única forma de combater o problema é conscientizar as pessoas desde crianças'', argumenta Paulo.
A pesca predatória já está ameaçando a sobrevivência de espécies como dourado, pintado, pacu e surubim. ''Do jaú (outra espécie de peixe) restam poucos no Rio Tibagi'', lamentou Piola. Com a proximidade da piracema, a pesca irregular se torna um problema ainda mais grave. Por isso, o IAP pretende intensificar a fiscalização e a proibição da pesca no início de novembro.
Além do prejuízo à fauna, os fiscais observaram que os pescadores também poluem as margens dos rios. ''Eles montam acampamentos, ateiam fogo na beira do rio e deixam muito lixo'', reclamou o fiscal. Apesar do grande número de aparelhos de pesca apreendidos, o número de pessoas autuadas em flagrante não passou de 20. O motivo, segundo o chefe do IAP, é que a maioria dos pescadores foge ao ver os fiscais, abandonando o material já armado. Quem é autuado responde a processo civil e criminal, e está sujeito a multa de R$ 1,5 mil. Em caso de reincidência, o valor duplica. No entanto, de acordo com Piola, é raro um pescador amador repetir a contravenção depois de ser autuado. ''Nunca peguei um reincidente. Os processos dão muita dor de cabeça. São dois, três anos de incômodo'', alerta.

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