IAP denuncia poluição de frigoríficos
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Marccio W. Varella 
O chefe do escritório do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em Maringá, engenheiro Clóvis Lopes, vai levar hoje à reunião do Conselho de Desenvolvimento de Maringá (Codem) as reclamações que tem recebido sobre o mau cheiro causado pelos dois frigoríficos instalados há mais de dez anos na zona urbana da cidade. Lopes vai denunciar também o despejo de detritos desses frigoríficos nos córregos da cidade.
A Lei de Zoneamento Urbano proíbe o funcionamento de frigoríficos dentro dos limites da cidade. O Codem é formado por funcionários da prefeitura, economistas e administradores autônomos, empresários e professores da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
O mau cheiro é cíclico e segundo um ambientalista, que pediu sigilo para seu nome e que conhece bem o funcionamento dos frigoríficos, é provocado pelo mau uso da graxaria e do digestor de sangue. Ele explicou que a graxaria é o setor do frigorífico encarregado de produzir gordura animal para a fabricação de sabonetes, margarinas e outros produtos. A pelanca que sobra no osso é retirada e colocada num panelão, onde será derretida e homogenizada.
Os fiscais do IAP recomendam sempre aos frigoríficos que ou derretam logo o sebo ou o guardem na geladeira (grandes câmaras frias). Com o calor, a decomposição da matéria orgânica é rápida e um dos resíduos dessa decomposição é o enxofre, que sai do sebo em forma de gás sulfídrico, responsável pelo mau cheiro. O que ocorre é que, em tempos de crise e para economizar energia elétrica, o frigorífico deixa o sebo de um dia para o outro do lado de fora da geladeira, explicou o ambientalista.
O mesmo ocorre com o digestor de sangue, que produz adubos para a agricultura. O sangue líquido é colocado dentro de um cilindro que, sob pressão a vapor e a alta temperatura, transforma o produto numa farinha preta. Este cilindro precisa de uma carga mínima para trabalhar e enquanto esta carga não for acumulada o sangue líquido fica dentro de um panelão, também fora da geladeira, provocando o mau cheiro.
O chefe local do IAP ameaçou ir ainda esta semana aos dois frigoríficos para ver como estão funcionando as graxarias e os digestores. Os dois frigoríficos funcionam na zona sul de Maringá e o mau cheiro, que ocorre principalmente no verão, atinge os mais de 15 bairros localizados nessa parte da cidade. Os proprietários dos frigoríficos possuem documentos da prefeitura que autorizaram a instalação deles na zona sul. Mas segundo a Constituição de 88 quem define a ocupação do solo urbano e rural é o próprio município; a lei que autorizou a instalação dessas duas empresas pode ser mudada pela Câmara dos Vereadores.


