O chefe do escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), em Londrina, Andrew Pinheiro Neto, anunciou ontem que o órgão irá respeitar a posição do prefeito de Apucarana, Valter Pegorer (PFL), do Ministério Público e Judiciário local, que vetaram o corte de 120 pinheiros (araucária angustifolia). O corte era justificado pelo proprietário de um sítio, na Gleba Três Bocas, para a implantação de um loteamento residencial e já tinha autorização do IAP.
O decreto 063/01, de autoria do prefeito, determinou que, a partir de agora, as araucárias existentes no município são imunes a cortes. A iniciativa de Pegorer foi seguida pelo promotor de Defesa do Meio Ambiente, Eduardo Nagib Matni, que propôs uma ação civil pública, visando impedir o corte.
Em menos de 24 horas, o juiz Katsujo Nakadomari concedeu liminar ao Ministério Público, proibindo a corte das 120 araucárias. O juiz fixou ainda uma multa de R$ 5 mil para cada árvore que for derrubada.
Diante da posição das autoridades locais, Andrew Pinheiro Neto, explicou ontem que o IAP não está autorizando corte de araucária em nenhum lugar do Paraná, cumprindo determinação da Secretaria do Meio Ambiente e do presidente do IAP. ‘‘O que aconteceu em Apucarana é que estas 120 árvores foram plantadas pelo proprietário e, neste caso, é passível de receber uma anuência para corte’’, argumentou.
Pinheiro Neto revelou ainda que a autorização para corte foi dada por um engenheiro florestal do IAP (Curitiba), a partir do parecer de um fiscal (Londrina) que esteve vistoriando o local. ‘‘Porém, sem a anuência do município nós estamos reavaliando o caso, concordando com o prefeito que considera que as araucárias são um patrimônio histórico e recurso natural em extinção’’, comentou.
Para o chefe do escritório regional do IAP, o projeto do loteamento residencial deveria conciliar a ocupação da área com a preservação do meio ambiente. Depois da decisão da Justiça, a prefeitura de Apucarana já está negociando com representantes do proprietário do lote (Teru Nakayama) e técnicos do IAP. O objetivo é alterar o projeto, visando permitir a criação de um parque ambiental no local, onde existem mais 800 araucárias nativas.

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