O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) convocou diretores da América Latina Logística (ALL) para darem explicações sobre os acidentes ocorridos na malha ferroviária operada pela empresa. Segundo o presidente do órgão ambiental do Estado, Rasca Rodrigues, o número de ocorrências teria aumentado desde março de 1997, após o processo de privatização. A ALL constestou essa declaração e assegurou que as ocorrências diminuem ano após ano e que estão abaixo das metas estabelecidas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Rodrigues adiantou que em cerca de 10 dias a empresa deverá ser autuada e multada pelos danos ao meio ambiente provocados pelo descarrilamento de uma composição carregada com combustíveis, registrado na terça-feira, em Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana). O valor da multa, que varia de R$ 500,00 a R$ 50 milhões, só será conhecido após a conclusão do laudo sobre amostras de solo e a quantificação da poluição do ar pela fumaça tóxica expelida pela queima de diesel e álcool. Como o acidente ocorreu dentro de uma reserva indígena, considerada área federal, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) está trabalhando em conjunto com o IAP. ''Vamos aplicar o rigor da legislação ambiental para definir o valor'', apontou.
O presidente do IAP também pediu informações à empresa sobre sua forma de trabalho porque, segundo ele, os descarrilamentos teriam aumentado desde 1997. Em apenas um ano, destacou, o número de acidentes no Estado teria chegado a 16, o que corresponderia a um aumento de mais de 1.500% em relação ao período anterior à privatização, que registrava 1,2 acidentes por ano. Rodrigues declarou ainda que a quantidade de carga transportada teria crescido muito pouco neste período.
A assessoria de imprensa da ALL rebateu as críticas e informou que a empresa sempre registrou números de acidentes menores do que as metas estabelecidas pela ANTT. Em 97, quando assumiu a malha, a meta era de 83 acidentes e houve 80. Em 2003, para uma meta de 22 acidentes foram registrados 18. Esses números são relativos aos 7.185 quilômetros de linhas férreas explorados pela ALL desde o sul de São Paulo até o Rio Grande do Sul. A assessoria apontou ainda que entre 97 e 2003, respectivamente, a quantidade de produtos transportados passou de 11,3 milhões de toneladas para quase 23 milhões de toneladas. Segundo a assessoria, a empresa dispõe de equipes especializadas em segurança ambiental para atender os locais de acidente.
Com relação ao trabalho de transbordo do material dos vagões que descarrilaram em Ortigueira, a ALL precisou que restam apenas 3 conteineres com diesel para serem esvaziados, o que deveria ocorrer na madrugada de hoje. Em seguida, os funcionários farão a retirada dos vagões afetados e a recuperação do quilômetro 466 da ferrovia. A empresa coletou amostras de solo para definir o trabalho de limpeza e recuperação da área atingida.

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