Guilherme Pupo
Ambientalistas e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) divergem sobre o índice de mata nativa no Estado, mas ambos concordam que a porcentagem está muito abaixo do mínimo exigido. O último levantamento oficial, feito em 1990 pelo IAP, com base em imagens de satélite, apontou que restavam apenas 8,59% da cobertura vegetal original.
Nos últimos sete anos, técnicos do instituto acreditam que a perda tenha sido de 1%. Já o ambientalista João Bello, da Associação Xama, defende o índice de 2,6%. ‘‘Qualquer número que se apresente, a situação é péssima’’, afirma a ambientalista Teresa Urban, da Rede Verde de Informações Ambientais. Ela observa que o Código Florestal Brasileiro diz que toda propriedade deve manter 20% de cobertura original. Além disso, todas as margens de rios, encostas e nascentes deveriam manter a cobertura florestal.
O método utilizado para avaliar o desmatamento também é criticado pelos ambientalistas. Segundo Teresa Urban, a análise de imagens por satélite não tem a mesma precisão que as fotografias aéreas. ‘‘O último vôo feito no Paraná para fazer o estudo aerofotogramétrico das florestas foi em 1980. Estamos há quase 20 anos sem uma base de dados confiável sobre a cobertura florestal do Estado’’, disse ela.
Segundo o técnico da Secretaria Estadual do Meio Ambiente Edson Queluz, o método de fotos aéreas seria o ideal, mas é muito caro e considerado inviável.
‘‘O índice (de cobertura vegetal) é muito baixo mas estamos preocupados em aumentá-lo’’, disse Eleutério Langowski, assessor técnico da Diretoria de Desenvolvimento Florestal do IAP. Segundo ele, programas de reposição florestal do governo garantiram o plantio de cerca de 28 milhões de árvores em 1997. Para este ano, a expectativa é plantar 50 milhões de mudas - se os proprietários cumprirem as normas de plantar o equivalente ao que for cortado.

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