Uma alta incidência de bactérias comuns a esgotos sanitários foi encontrada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) nas amostras de água colhidas no Córrego Água das Pedras, na Vila da Fraternidade, zona leste de Londrina. Na água coletada nas saídas das galerias, a porcentagem foi de 3 milhões de coliformes por 100 ml. Em outra coleta realizada cerca de 200 metros abaixo das mesmas saídas, o índice foi de 500 mil coliformes por 100 ml. Os exames foram feitos pelo IAP, após denúncia da Folha na semana passada.

As famílias que moram às margens do córrego utilizam a água no preparo dos alimentos, na limpeza e no banho. As bactérias encontradas, segundo o chefe do escritório regional do IAP de Londrina, Andrew Pinheiro Neto, podem provocar infecções gastrointestinais. Ele destaca a existência de bactérias que só morrem após um longo período de exposição ao calor.

Multar o município, segundo o chefe do IAP, não resolveria o problema. Ele sugere um trabalho educativo junto à população, principalmente com as pessoas que moram às margens do córrego. Os ganhos ambientais com esse trabalho, para Pinheiro Neto, seriam maiores. Ele disponibilizou o pessoal e o conhecimento do Instituto para atuar em parceria com a prefeitura na educação dos moradores.

O chefe do IAP destacou as diversas ocupações irregulares de fundos de vale existentes na cidade que contribuem para o atual quadro de poluição registrado em todos os córregos da área urbana. O poder público, na opinião de Pinheiro Neto, não tem força para resolver sozinho a questão. A solução, para ele, exige investimentos e planejamentos na área social para a relocação dessas famílias.

Ontem a equipe de reportagem da Folha esteve numa outra região do Água das Pedras, próximo ao Jardim Santa Fé, onde o quadro de poluição é ainda mais grave. A área é composta por um grande número de moradias irregulares. O leito do córrego está tomado pelo lixo e recebe ainda esgotos domésticos. Há também carcaças e animais em decomposição.

O ex-presidente da Associação de Moradores do Santa Fé, Ivan Antônio Melo, destaca que o lixo aumenta a incidência de insetos e ratos. Já houve casos até de crianças terem dedos das mãos roídos pelos animais. Melo reclama que a região só é lembrada pelos agentes da vigilância epidemiológica, que faz o controle da dengue. A recuperação do lago, segundo ele, não passa das promessas eleitoreiras. O córrego, de acordo com o ex-presidente, é muito utilizado pelas crianças para nados e pescarias. Ele comenta que muitas vezes, durante o preparo do peixe é possível sentir fortes odores de óleo.

A comunidade, de acordo com Melo, costuma tirar parte do lixo que fica enroscado nas pedras. A grande maioria dos moradores, para ele, evita o acúmulo do lixo. A maior parte dos entulhos no local, segundo ele, é trazida de outras regiões pelas águas do córrego. Moradores de outros bairros também ''contribuem''.

A dona de casa Sílvia Carneiro Lobo, tem três filhos e admite que o mais velho, de 7 anos, costuma brincar no córrego. Ela reconhece que o local e impróprio para banhos, mas afirma não ter como controlar o garoto. Ela sugere a colocação de uma cerca na extensão do ribeirão.

A coordenadora do Posto de Saúde do Jardim Marabá, Angela Lima, responsável pela região, disse que são vários os casos de pessoas com esquistossomose (barriga d'agua) acompanhados na unidade. Mas ela não soube precisar os números. A região teve também casos de dengue. Angela destaca ainda o quadro de verminose nas crianças, que ela considera muito alto. A falta de saneamento básico na região dos assentamentos, para ela, piora a situação.

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