IAP coleta amostras para medir a poluição do Igapó
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quinta-feira, 11 de dezembro de 1997
Osmani Costa Londrina 
Dorico da SilvaNa garrafaTécnicos recolhem água do Igapó: parte das análises fica pronta ainda este ano; o restante, em 30 dias Uma equipe de técnicos e pesquisadores do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que trabalha na sede do órgão em Curitiba, esteve ontem na Cidade para fazer testes e coletar amostras da água do lago Igapó destinadas a análises laboratoriais que objetivam medir o exato grau de poluição. Os exames - 16 no total - foram solicitados, em novembro, pela Promotoria de Defesa do Meio Ambiente e pela Comissão Permanente de Vigilância e Defesa do Lago Igapó da Câmara de Vereadores, depois da mais recente mortandade de peixes.
A equipe, coordenada pela bióloga Leda Neiva Dias, passou o dia inteiro percorrendo as quatro partes do lago em um barco do Corpo de Bombeiros. Foram coletados oito frascos - de meio litro cada - de água em cada um dos seis pontos escolhidos: três no Igapó 1, entre a barragem e a avenida Higienópolis (área central); e um em cada uma das outras três partes, entre a Higienópolis e o jardim Tóquio (zona oeste).
Também composta por um químico e um hidrometrista, a equipe do IAP coletou, com a ajuda de redes, várias amostras de algas. Segundo Leda Dias, as análises laboratoriais encontrarão nelas microorganismos importantes para a indicação do grau de comprometimento da qualidade da água. As coletas foram feitas sempre em pontos centrais do lago, que são os mais profundos e por onde passa o maior volume de água diário.
Os técnicos do IAP utilizaram modernos aparelhos e equipamentos importados da Alemanha para medir, instantaneamente, o nível de oxigenação, temperatura e condutividade da água do Igapó. Parte dos resultados das análises - a físico-química, que será realizada no IAP de Londrina - estará pronta até o final do mês e poderá ser divulgada na última reunião da comissão da Câmara, marcada para o dia 30, segundo o químico Deodoro Kuwabara.
Os laudos da parte restante - hidrobiológico e para a detectação de metais pesados, que serão feitos no IAP de Curitiba - só estarão completos dentro de 30 dias, de acordo com a previsão da bióloga Leda Dias. Estas análises não poderão definir os produtos responsáveis pelas últimas mortandades de peixes, que já ocorreram há muito tempo. Isto só seria possível se tivéssemos feito a coleta no dia do incidente, porque a água do lago é corrente e tem mudadas rapidamente a sua composição e qualidade.
As análises que serão realizadas no laboratório central do IAP em Curitiba são capazes de detectar na água coletada a presença de cromo, chumbo, ferro, mercúrio, zinco e outros metais poluentes. Será objeto de estudo detalhado também a biomassa da clorofila das algas encontradas no Igapó. É um pouco prematuro fazer avaliações antes de termos os resultados das análises. Mas, por termos encontrado pouca quantidade de algas e muitos peixes, dá para dizer que a qualidade da água do lago não é tão ruim. Vamos ver se os exames comprovam esta impressão, comenta Leda Neiva Dias, que coordena este tipo de trabalho nos lagos de hidrelétricas da Copel, Eletrosul, Itaipu, e pela primeira vez veio a Londrina.


