IAP coleta amostra para identificar poluição
Érika Pelegrino
Técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) estiveram ontem no Córrego do Bom Retiro, na Vila Marízia, (zona norte de Londrina), para coletar material a pedido da promotora de Defesa do Meio Ambiente, Maria Lúcia Reichenbach. Próximo ao local funciona uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Sanepar. A denúncia ao Ministério Público foi feita depois da reclamação de moradores da região à Folha, em reportagem publicada ontem. A água do córrego constantemente exala mau cheiro e aparece coberta por espuma.
O engenheiro químico do IAP, Nelson dos Santos Pereira, informou que foi realizada a coleta de material do córrego antes do lançamento do esgoto tratado pela Sanepar, depois do lançamento, e do esgoto bruto. A material será analisado no laboratório do IAP em Curitiba. Em sete dias teremos o resultado e saberemos o grau de poluição do córrego, disse o engenheiro.
A quantidade de espuma decorrente de produtos não biodegradáveis em córregos, segundo o engenheiro químico, aumenta durante o inverno. Quando a temperatura diminui, a solubilidade dos produtos é diminuída, aumentando a espuma.
O chefe do IAP em Londrina, Antônio Carlos Pires, afirmou que se for comprovada a poluição, a Sanepar será autuada e pagará multa. O valor é irrisório, não passa de R$ 800,00, disse.
A promotora Maria Lúcia Reichenbach disse que irá anexar o caso do Córrego Bom Retiro à ação civil pública que ela está movendo contra a Sanepar. A ação resultou do levantamento feito ano passado nas 10 estações de tratamento da companhia.
Na ocasião, foi realizada a coleta de água antes e depois da emissão de esgoto tratado em cada estação da Sanepar. Segundo a promotora, ficou constatado que 80% dos córregos e ribeirões que recebem o despejo da Sanepar apresentam um grau de poluição muito acima do permitido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
Em alguns ribeirões, a presença de coliformes fecais, que podem transmitir cólera, hepatite, esquistossomose, entre outras doenças, superam em milhões a quantidade tolerável pelo Conama, afirmou a promotora.
O Córrego Água Fresca, próximo à ETE da Sanepar da Avenida Juscelino Kubitscheck, segundo Reichenbach, está sendo contaminado com sulfato de alumínio e lodo. Os resíduos dos filtros da estação são jogados no córrego pela Sanepar.
A promotora informou que ainda nesta semana o Ministério Público irá pedir a abertura de inquérito policial por se tratar de crime ambiental. Com a ação civil que ainda aguarda julgamento, o objetivo é obrigar a Sanepar a readequar suas estações de tratamento para o esgoto que elas recebem.
Reichenbach explicou que a quantidade de esgoto tratado nas estações não é compatível com a capacidade delas. Com isto, a água despejada nos córregos trazem materiais sólidos, já que não há tempo para se fazer a decantação durante o tratamento.
No ano passado, de acordo com a promotora, foi conseguida uma liminar junto à 1ª Vara Cívil para que a Sanepar tomasse medidas imediatas. Mas o Tribunal de Justiça do Estado suspendeu a execução da liminar, afirmou.





