Paulo Pegoraro
Enviado a
Rio Bonito do Iguaçu
Fiscais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) interditaram ontem uma serraria clandestina que funcionava no Assentamento Marcos Freire, no município de Rio Bonito do Iguaçu (180 km a leste de Cascavel). Um serrador foi preso. Na mesma região, fora do assentamento, outras duas serrarias foram autuadas. O IAP vem desenvolvendo blitz contra serrarias na região a partir de denúncias de corte de árvores como cedro, marfim, peroba e canela em áreas de preservação.
A operação foi apoiada por policiais militares, que prenderam Silmar Bolla, 38 anos, o ‘‘Neco’’, que há 3 meses instalou a serraria em sociedade com um homem que se identificou como Silito Albertão, de Salto do Lontra (60 km ao norte de Francisco Beltrão).
‘‘Neco’’, que não é assentado, disse que apenas prestava serviços aos lavradores, que o pagavam com parte das toras. ‘‘É um trabalho feito no braço, não existe lucro’’, afirmou, assustado com a presença dos fiscais e dos policiais. Depois, foi levado à Delegacia de Laranjeiras do Sul para ser interrogado e estava preso até o final da tarde de ontem.
Luis de Abreu, 36 anos, presidente de uma associação do Assentamento Marcos Freire (dissidente do MST), garante que eram serrados diariamente ‘‘apenas 4 ou 5 metros cúbicos’’. ‘‘A madeira era apenas para a construção de casas para 130 famílias, pois estamos na lona há muito tempo’’.
Os acampados ocuparam as terras, que pertenciam ao grupo madeireiro e industrial Araupel, no início de 1996, integrando a maior ação até então organizada no País pelo MST, com participação de 3 mil famílias. Segundo o IAP, no Marcos Freire estão 604 famílias, que dividem 9,4 mil hectares de terras à espera de repartição em lotes.
Nas outras duas serrarias, as autuações aconteceram por falta de comprovação da origem das toras. Em uma delas, o encarregado, Antonio Loss, questionou o fato de ‘‘as grandes madeireiras’’ não sofrerem a mesma pressão.
O chefe do IAP em Guarapuava, Celso Alves de Araújo, que chefiou a operação, disse que há 31 serrarias na região, em assentamentos ou próximas. Segundo ele já foram aplicadas 65 autuações. Na semana passada, foi fechada uma serraria no Assentamento Ireno Alves dos Santos, onde três pessoas foram detidas e depois liberadas sob fiança.
Segundo Araújo, as madeireiras que foram apenas autuadas têm autorização para funcionar. Na área fiscalizada pelo IAP de Guarapuava há 200 pequenas serrarias ou madeireiras, a maior concentração em todo o Estado. Há também serras montadas em caminhões, as chamadas ‘‘serrarias ambulantes’’, que estacionam em áreas onde há matas ‘‘exploráveis criminosamente’’.
No caso do Assentamento Marcos Freire, a quase totalidade da área é de matas primárias alteradas, segundo Celso Alves de Araújo. No Assentamento Ireno Alves dos Santos, onde vivem 900 famílias, 3,2 mil dos 16,9 mil hectares são de reserva legal.Mais uma serraria foi fechada
em Rio Bonito do Iguaçu, outras
duas foram autuadas e um foi preso
CLANDESTINOSFiscais lacram equipamentos da serraria no Assentamento Marcos Freire, em Rio Bonito do Iguaçu; outras duas serrarias localizadas fora da área do assentamento foram autuadas; ao lado, o serrador Silmar Bolla, o ‘‘Neco’’, no momento em que era levado preso por cortar árvores em área de preservação

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