IAP cancela licença para extração de areia no Tibagi
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de agosto de 2001
Denise Angelo<BR>De Ponta Grossa 
Depois de receber várias denúncias de integrantes do movimento ''Viva o Tibagi'', o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) cancelou a licença da empresa Porto de Areia Busnelo, que permitia a extração de areia no leito do Rio Tibagi, no trecho compreendido entre Ponta Grossa e Palmeira. Outra empresa, a Mineradora Rogalski, foi obrigada a assumir um termo de responsabilidade, se comprometendo a reconstituir a mata ciliar de um trecho do rio, dentro de um prazo de três meses. Isto porque, a extração da areia avançou pela margem do Tibagi, derrubando as espécies nativas.
A empresa Porto de Areia Busnelo perdeu sua licença porque não vinha cumprindo o plano de controle ambiental, que precisa ser apresentado no momento em que a empresa pede o licenciamento. É nesse plano que ficam definidos os pontos onde a empresa pode extrair a areia e as medidas que precisa adotar para reduzir os danos ao meio ambiente. Nenhuma das duas determinações contidas no plano estava sendo cumprida pela empresa. A empresa só poderá voltar a trabalhar depois que recuperar todos os estragos feitos na região onde atuou.
Para o chefe regional do IAP, Luis Eduardo Araújo, a devastação provocada pela Porto de Areia Busnelo foi pequena. ''A área destruída foi de cerca de seis metros quadrados, o que é muito pouco se comparado ao tamanho do Tibagi'', considera. Mas admite que mesmo assim ainda trata-se de um crime, que precisa ser coibido. Por isso, Araújo diz que o IAP passará a fazer fiscalizações mais intensas na área.
A extração de areia, segundo ele, é uma atividade agressiva ao meio ambiente, mas que precisa ser feita no Tibagi, porque é o único rio da região com condições para utilização de dragas e realização do serviço. ''Se nós proibirmos a extração vamos fechar todas as empresas de construção civil de Ponta Grossa, porque não há de onde retirar areia na região, senão do Tibagi'', defende.
A extração de areia está provocando o alargamento do rio em vários pontos e consequentemente a redução da sua profundidade. No trecho do rio que fica entre Ponta Grossa e Palmeira, é possível encontrar vários pontos onde o rio já teve mais de quatro metros de profundidade e agora, apresenta apenas dois. Em compensação, a largura passou de 20 para quase 40 metros. Em períodos de estiagem, vários pontos do leito do rio ficam secos, comprometendo toda a fauna e flora do Tibagi e suas margens.


