Técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) na região de Paranavaí estão investigando supostos ataques de uma onça a animais de criação. A onça, segundo moradores da zona rural, está na região há 40 dias e já atacou um burro, deixando-o sem um olho. Os primeiros ataques aconteceram no município de Nova Esperança (35 quilômetros a noroeste de Maringá). Atualmente há suspeitas de que o animal esteja no município de Alto Paraná (a 10 quilômetros de Paranavaí).
Dois técnicos do IAP, Osvaldo Ribeiro Carneiro e Benjamin Ruiz Balsalobre, estão percorrendo os municípios onde os moradores afirmam ter visto marcas de pata da onça e relatam ataques a animais de criação. Segundo Carneiro, a onça teria atacado o burro no município de Nova Esperança, há cerca de 20 dias. ‘‘Tudo indica que foi mesmo uma onça que atacou o animal. Só com um tapa, ela (a onça) arrancou um olho do burro’’, diz.
Ontem, os técnicos estiveram em vários sítios em Alto Paraná, onde os moradores da zona rural estão assustados. Carneiro e Balsalobre avaliaram marcas de pegadas que os agricultores afirmam ser da onça. O último ataque do animal, segundo as denúncias, aconteceu no início desta semana. No último dia 15, a onça teria deixado pegadas no sítio de Valentino Karrachi, 45 anos. Os fiscais do IAP e policiais militares de Alto Paraná estiveram no local verificando as marcas. Segundo Karrachi, um bezerro também estaria desaparecido desde o dia 15. Apesar de não ter achado os restos do bezerro, Karrachi tem certeza que foi a onça que o atacou. ‘‘Nunca aconteceu isso aqui. Além disso eu vi as pegadas da onça no meu sítio’’, afirmou. Próximo ao sítio de Karrachi, há uma reserva florestal de aproximadamente 10 alqueires e a propriedade também é cortada por um riacho, o que torna a área ideal para o esconderijo da onça.
Conforme os técnicos do IAP, a onça costuma ficar em matas fechadas próximas a rios. Segundo Carneiro, é provável que a onça tenha vindo do Morro do Diabo, reserva ecológica localizada no município de Teodoro Sampaio (SP), com 30 mil hectares. O animal teria atravessado o Rio Paranapanema para chegar ao Paraná. Carneiro também admite que há probabilidade de ser o mesmo animal que há três anos costuma ‘‘visitar’’ a região Noroeste do Paraná, sempre entre os meses de janeiro a abril. ‘‘No ano passado, a onça atacou mais na região de Santo Antônio do Caiuá, mas de acordo com as denúncias que recebemos, ela (a onça) sempre faz este trajeto, indo até Astorga. Depois ela desaparece. Por isso acreditamos que ela volta para o Morro do Diabo’’, explica.
Em contato com os moradores da zona rural de Alto Paraná, os técnicos do IAP orientaram para que eles ficassem em alerta. De acordo com Carneiro, é muito difícil capturar uma onça porque ela não costuma ficar no mesmo local por muitos dias. O animal costuma percorrer a região durante a noite, quando chega a andar até 50 quilômetros.
Com relação ao desaparecimento dos bezerros, Carneiro explica que a onça pode ter levado as presas nas costas até a mata fechada. ‘‘Neste caso, o agricultor só vai encontrar os restos do bezerro quando os urubus atacarem’’, disse. Carneiro não confirmou se as marcas mostradas pelos moradores da zona rural de Alto Paraná são mesmo das patas de uma onça. ‘‘As marcas estão fracas por causa das chuvas dos últimos dias, por isso fica difícil uma confirmação’’, diz Carneiro.

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