O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) vai autuar e multar o Serviço Autônomo de Água de Esgoto (Samae) e Frigorífico Rainha da Paz, de Ibiporã (13 km a leste de Londrina), por lançamento de resíduos poluntes no Rio Jacutinga. Operação conjunta dos órgãos ambientais – IAP, Polícia Florestal, Departamento Municipal de Meio Ambiente e Ministério Público – coletou amostras de água no rio para verificar denúncia de poluição publicada em reportagem da Folha, na quarta-feira. A suspeita de poluição foi levantada por agricultores da região que acompanharam a mudança da cor da água – de clara para negra – nos últimos anos.
  ‘‘Nós fizemos a coleta em todos os pontos. As análises preliminares mostram que os efluentes do Samae e do frigorífico contém níveis bioquímicos acima dos limites permitidos. Estamos procedendo a autuação administrativa’’, afirmou o chefe do escritório regional do IAP em Londrina, Carlos Alberto Hirata. O lançamento do Samae é responsável pela grande quantidade de espuma verificada in loco pela reportagem. De acordo com Hirata, o valor das multas e o resultado final dos exames devem ser divulgado na próxima semana.
  Sobre a suspeita de vazamento no Curtume Wyni do Brasil, onde a Folha constatou o encharcamento da mata ciliar por um líquido negro e mau cheiroso, o chefe do IAP disse que as análises ainda não são conclusivas. ‘‘As amostras coletadas no rio, acima e abaixo da empresa, estão nos limites da tolerância. Já as amostras coletadas no dreno (na mata ciliar) estão em estágio inicial de verificação e não permitem análise preliminar.’’
  A coleta de amostra no dreno foi precedida de uma situação inusitada. Quando os fiscais ambientais chegaram ao local constataram que a empresa estava despejando água limpa na caixa contentora. ‘‘Tudo indica que era para diluir os resíduos’’, avaliou o diretor municipal do Meio Ambiente, Amauri Bianchini. Sobre o encharcamento do solo, ele disse que ‘‘não é uma coisa anormal’’. ‘‘Que tem um material vazando por baixo, em alguma tubulação, é evidente. Mas precisamos aguardar o laudo para dizer se o produto é tóxico ou não.’’
  O despejo de água limpa no dreno suspeito de vazamento também chamou a atenção da promotora de defesa do Meio Ambiente, Révia de Luna. ‘‘A Polícia Florestal solicitou que a mangueira fosse fechada para que os resíduos efetivamente produzidos pela empresa pudessem ser recolhidos, a fim de fazer a análise dos efluentes’’, registra nota enviada pelo MP à Folha.
  O diretor de saneamento do Samae, Alexandre Casagrande, disse que a empresa desconhece eventual autuação pelo IAP. Segundo ele, há 10 anos o Samae não tem qualquer problema ambiental. Ele reconheceu, porém, que o fato deve repercutir negativamente para a prefeitura, já que se trata de uma empresa controlada pelo município. ‘‘É claro que será ruim, mas prefiro aguardar a notificação para me manifestar’’.
  O gerente administrativo do Frigorífico Rainha da Paz, Valdecir Belançon, se mostrou surpreso com a autuação. ‘‘Mostrei o sistema de tratamento e eles acharam muito bom.’

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