IAP autua prefeitura por poluição de rio
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quinta-feira, 19 de maio de 2005
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Arapongas O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) deve estabelecer hoje o valor da multa que será aplicada à Prefeitura de Londrina pela poluição do Ribeirão dos Apertados, principal fonte de abastecimento do município de Arapongas (37 km a oeste de Londrina). Cerca de 300 litros de óleo queimado, usados para impermeabilizar a estrutura de madeira de uma ponte recém-recuperada, no Distrito de São Luiz, em Londrina, foram derramados no leito do rio. O acidente deixou cerca de 90% da população araponguense 80 mil pessoas sem água por mais de oito horas. A ponte está localizada bem próximo do limite entre os dois municípios.
O chefe-regional do IAP, Ney Paulo, garantiu ontem à Folha que a Prefeitura de Londrina, responsável pela obra, será autuada por crime ambiental. ''Ainda não definimos o valor da multa, mas ficou configurado o dano ambiental com o derramamento do óleo. E a multa deve ser pesada'', afirmou. O valor da autuação deve se basear, entre outros pontos, no prejuízo ao ecossistema local e na possibilidade de ter havido negligência. ''Isso é uma coisa que estamos investigando, se ficar provado que houve negligência por parte da prefeitura, isso se tornará um agravante'', prosseguiu Ney Paulo. Uma equipe do IAP recolheu amostras da água com óleo para avaliar o grau de contaminação.
Segundo o gerente regional da Sanepar, Luiz Alberto da Silva, a estimativa era que até o começo na noite de ontem o serviço estivesse normalizado. Até as 16 horas, 90% das casas já recebiam água sem problemas. O gerente teme que a mancha de óleo tenha ultrapassado a estação de captação da Sanepar e se espalhado pelo restante do ribeirão, que morre no Tibagi. ''Nossos técnicos já estão monitorando essa possibilidade''. Silva afirmou ainda que a Sanepar está preparando uma planilha com os prejuízos causados pelo acidente que será enviada à prefeitura. Cerca de 9 milhões de metros cúbicos de água ou 9 bilhões de litros, segundo ele, deixaram de ser fornecidos à população durante a paralisação.
A reconstrução da ponte, destruída pelas chuvas de janeiro e interditada há pelo menos três meses, estava a cargo da Secretaria Municipal de Agricultura. De acordo com o diretor de Desenvolvimento Rural, Osvaldo de Souza Campos Júnior, a secretaria está apurando as causas do acidente. O serviço de impermeabilização com óleo o líquido, depois de queimado, é trazido da garagem da prefeitura é um procedimento comum, segundo ele. ''O óleo serve para proteger a madeira e dar mais resistência aos efeitos do calor e da chuva. Nunca registramos um acidente desse tipo''.
O diretor disse que lhe causou ''estranheza'' a informação da Sanepar, dando conta que aproximadamente 300 litros foram derramados no leito do rio. ''Essa é uma dúvida que temos, porque os funcionários levaram para a obra apenas dois recipientes com 20 litros cada um'', questionou. O secretário de Agricultura, Nilson Ladeia, em viagem pra Cascavel, não foi encontrado para comentar o assunto.


