James Alberti
De Curitiba
A prefeitura de Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, foi autuada ontem em 4.500 Ufirs (R$ 4.385,00) pelo corte ilegal de 27 árvores no loteamento Vila Mariana, no bairro Guarituba. Acompanhados do secretário de Meio Ambiente, Ari Soares, funcionários municipais cortaram 40 árvores, apesar da licença do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) autorizar o corte de apenas 13 Araucárias angustifólia, o Pinheiro do Paraná, símbolo do Estado. José Carlos Moriatto, proprietário do terreno no qual estavam as árvores, também deverá pagar multa do mesmo valor.
Segundo Roberto Satiro dos Santos, assessor de gabinete da direção do IAP, o instituto havia dado autorização para o corte e transporte de 13 araucárias. Ontem fiscais do orgão observaram a retirada de 16 aracuárias, seis podocarpos (pinho branco) e 18 foleosas nativas (madeira branca). O IAP encaminhará a autuação à Promotoria de Meio Ambiente e à Delegacia de Piraquara para que sejam abertos inquéritos por crime ambiental contra a prefeitura e o proprietário do terreno. Caso seja aberta ação civil pública, os acusados terão de reparar os danos.
Ari Soares disse que os cortes ‘‘estavam todos autorizados.’’ O secretário de Meio Ambiente afirmou que as denúncias, feitas por uma vereadora e por ambientalistas, tinham motivações políticas. Segundo ele, a madeira dos pinheiros será usada para reforma da mais antiga escola do município, que será transformada em um museu. O secretário disse ainda que serão plantadas novas árvores no lugar das que foram cortadas. ‘‘Muito mais valiosas para as residências, não oferecendo perigo’’, disse.
A ambientalista Tereza Urban, do Fórum Pró-Conservação da Natureza, afirmou haver discrepância entre a autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e o corte feito pela prefeitura. Segundo ela, a licença do IAP permitia o corte de Araucárias plantadas na década de 70. Os pinheiros cortados, porém, seriam nativos e, alguns deles, centenários.
Soares negou. Ele diz que nenhuma das árvores tinha mais de 30 centímetros de diâmetro, o que indica que elas teriam menos de 40 anos. O secretário também negou acusação da ambientalista de que ‘‘pequenos’’ cortes de árvores, como o de ontem, estariam devastando grande áreas de mata do município e colocando em risco mananciais, que abastecem Curitiba. ‘‘Não há comprometimendo dos mananciais. Não estamos desmatando porque estamos repondo’’, afirmou Soares.
Tereza Urban disse que pedirá ao IAP um levantamento das liberações de corte de mata em Piraquara para confirmar a denúncia.

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