IAP autua MST e fixa multa de R$ 6 milhões
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quinta-feira, 08 de março de 2001
Fabiana Klein De Inácio Martins Giovani Ferreira De Curitiba 
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) chegou ontem a um desmatamento de milhares de hectares em uma das únicas áreas remanescentes de mata nativa no Estado. Pelo menos 4 mil hectares, de uma área de 5,5 mil hectares, foram explorados em uma propriedade no inteiror do município de Inácio Martins, na região Centro Sul do Paraná. Os técnicos lavraram uma multa de R$ 6 milhões contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que mantinha 45 famílias em uma ocupação no local
Segundo técnicos do IAP, a área pertence à Madeireira Madeirit, de Guarapuava, que seria a autora da denúncia. Os proprietários da madeireira já teriam solicitado, inclusive, a reintegração de posse da área. As famílias impediram a imprensa de entrar na área. Apenas técnicos do IAP e do INCRA tiveram acesso ao local do desmate.
Em uma vistoria que durou toda a tarde, além de constatar a área explorada, os fiscais encontraram 1,3 mil metros cúbicos de toras de araucária prontas para serem transportadas. Conforme estimativa do IAP, isso representa pelo menos 4 mil toras de pinheiro. Também havia no local diversas máquinas, caminhões e equipamentos utilizados no corte e transporte da madeira.
Os integrantes do MST disseram que não tinha nada a ver com o desmatamento. Alegaram que quando eles entraram na área já estava tudo daquele jeito. Darci Frigo, advogado do MST, disse estranhar que a multa tenha sido contra o movimento. De acordo com Frigo, 45 famílias não teriam recursos para desmatar uma área desse porte.
Roberto Baggio, coordenador do MST no Paraná, disse que trata-se de uma operação industrial, promovida por grandes madeireiros. Segundo Baggio, na região não existe nenhuma ocupação do MST, mas apenas um assentamento de 2,3 mil hectares em área área que pertencia a Fazenda Baggio.
Hoje o IAP faz uma blitz em todas as madeireiras da região. A intenção verificar se não existem serrarias clandestinas que poderiam estar processando a madeira retirada da área.
Levantamento concluído no final do ano passado revelou que o remanescente com floresta de araucária no Paraná representa apenas 0,8% da cobertura original. De acordo com o IAP, da área desmatada em Inácio Martins foram retirados 10 mil pinheiros.


