Uma autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) pode permitir que 200 metros de vegetação ciliar do Rio Iguaçu, próximo de União da Vitória (Sul do Paraná), possam ser retirados para a construção de um canal. Apesar de legislações ambientais federal e estadual contrárias, o instituto deu um parecer favorável à empresa G.R. Extração de Areia e Transportes Rodoviários para alargar o leito do Iguaçu. O laudo, expedido no fim do mês passado, foi embasado em um projeto ambiental da G.R., que é de propriedade do ex-deputado federal Aírton Roveda. O caso está sub judice e aguarda uma decisão da Justiça.
De acordo com José Álvaro Carneiro, presidente da Liga Ambiental, a autorização do IAP acontece depois do próprio órgão ter embargado o alargamento do Iguaçu. Para Carneiro, o novo parecer é contraditório com a decisão anterior. A legislação atual resguarda com lei especial a mata ciliar. O IAP aceitou que a G.R. possa alargar de 115 metros para 260 metros a Curva da Ressaca, que é uma das derivações do rio abaixo de União da Vitória.
A suspensão da obra da G.R. pelo IAP aconteceu em 1983, quando a cidade foi atingida pela maior enchente da história. O sócio-proprietário da G.R., Lenoir Antonio Geremia, explicou que o canal recebeu a autorização da prefeitura, que era do mesmo grupo político de Aírton Roveda, mas esqueceu de ter um parecer ambiental. A justificativa para execução do canal era que um dos focos da enchente acontecia no afunilamento da Curva da Ressaca. No entanto, neste mesmo ponto, a empresa de Geremia já atuava na extração de areia.
O processo foi parar no Ministério Público, que entrou com uma ação para recuperação do dano. Somente agora, uma nova análise foi solicitada pelo IAP. Para o chefe do escritório do instituto de União da Vitória, Neumar Wolff, a autorização obedece a legislação e pode significar um alívio para as enchentes. ‘‘Também a empresa se comprometeu em recuperar o que degradou, transferindo a mata ciliar para a nova margem do rio ’’, disse.
O sócio de Aírton Roveda, Lenoir Geremia, considera que a obra vai significar uma redução do leito do rio, diminuindo o impacto das enchentes. Segundo Dago Alfredo Woehl, presidente da Comissão Regional Permanente de Prevenção contra Enchentes do Rio Iguaçu (Corpreri), essa obra é preciso para prevenir cheias. ‘‘A abertura do canal significa a queda de três centímetros quando houver cheia’’, afirmou.
Além desse projeto, Woehl defende que se execute outro corte de mata ciliar. ‘‘Na Fazenda Brasil, se for feito um canal, diminuiu a inundação’’, disse. Essa propriedade também é explorada pela G.R. A Corpreri estima que a cidade já perdeu US$ 86 milhões com enchentes.